Rocket Science


Este final de semana devo escrever um review sobre a Felt para o site MundoTri… Provavelmente vai ser o review mais tendencioso de todos já publicados lá mas mesmo assim vou fazer o máximo pra me manter parcial.


Como aqui eu não preciso de parcialidade e nem neutralidade resolvi colocar uns números comparativos entre o conjunto LODD-Kuota x LODD-Felt.


É uma viajem, mas eu achei que no fundo consegui mensurar a diferença que vinha sentindo. Espero que os engenheiros e técnicos de plantão possam contribuir.


Como eu levantei os dados:


Uma vez a cada 3 semanas pelo menos eu faço um teste progressivo no velódromo pra ter idéia de como andam as coisas onde eu monitoro potência, frequencia cardíaca e percepção de esforço em 10 intensidades diferentes durante 5 minutos. Começando com 50% do meu limiar estimado e avançando dois “steps” após o limiar. Progredindo a cada 25w de potência.


De acordo com o period dos treinos essa wattagem varia, por isso não dava pra ter um ponto de referência fixo em termos de Watts que servisse de base pra análise.


Bom, o que eu fiz então foi primeiro me livrar dos dias muito atípicos (calor extremo e vento), depois me livrar dos dois primeiros e do ultimo degrau de cada teste, uma vez que esses acabavam sendo os de maior variação, ora por serem muito leves (e não valerem o foco de se manter bem posicionado) e ora por serem extremamente fortes fazendo com que eu me preocupasse somente em gerar potência e nada mais, avacalhando assim também meu posicionamento em cima da bike e comprometendo os resultados.


Com isso eu fiz uma media dos ultimos 5 testes com a kuota e comparei com os 2 testes realizados com a Felt. Pra isso eu criei um índice de velocidade em kph dividido por potência em watts. Assim consegui medir o ganho como na tabela abaixo:


Kuota (kph/w)

Felt (kph/w)

Variação %

0,176

0,180

2,308.

0,163

0,169

3,413.

0,151

0,160

6,289.

0,146

0,152

4,197.

0,137

0,142

4,092.

0,132

0,137

4,007.

0,119

0,124

4,056.

Média--->

4,052.


Existem falhas no método, mas dá pra ter uma idéia de um ganho que eu já vinha sentindo.


De novo, set (quadro/garfo/canote) da felt é com certeza mais aero do que o da kuota. Mas nem de perto acho que essa diferença seria mensurável com esses métodos. O que eu tô falando aqui é de um ganho de conjunto devido a um posicionamento absurdamente superior – 4% de ganho de velocidade é coisa na casa dos 1,5 a 2,5 kph dependendo da prova!


Por favor, cornetem essa metodologia caótica (se é que alguém entendeu alguma coisa) J


LODD


* Algumas informações extra:

- Roupa usada é sempre a mesma: macaquinho de competição da equipe de pista

- Rodas e Pneus são sempre os mesmos (de treino) e eu sempre calibro antes do treino

- Exceto o frameset, as únicas coisas que mudaram foram o selim e o pedivela.

- Sempre faço os testes com o velódromo quase vazio, pois isso acaba gerando muita oscilação de potência e acaba estragando os resultados, por isso o tráfego no velódromo é sempre baixo.

- Desses 7 testes eu tenho uns 4 data pontos com mesma potência cravada. Embora todas mostrem o mesmo padrão do resultado geral eu não quis considerar por achar pouca amostra (menos de 10%).

Adeus SUPERMAN!


O mundo do ciclismo de pista acordou em choque nesta quarta feira.

Uma das marcas que mais duravam no esporte, e que aos olhos de muitos parecia imbatível caiu na manhã deste memorável dia 02 de fevereiro na Austrália.

O jovem Jack Bobridge (apenas 21 anos) ciclista da Garmin-Cervélo fez o que parecia impossível! Durante a tomada de tempo para a prova de perseguição individual no campeonato nacional australiano, Jack estabeleceu a marca inimaginável de 4'10"5 para os 4km. Batendo o antigo recorde de Chris Boardman que já durava 15 anos e era de 4'11"1.

Aos olhos de quem não conhece, pouco mais de meio segundo pode parecer quase nada... Mas não numa prova que é realizada no limite onde qualquer erro pode custar muito mais que isso.

O grande feito de Bobridge deve-se ao fato que, depois do recorde de Boardman a UCI impôs novas regras para as bicicletas de contra relógio, acabando com o ganho aerodinâmico das posições concebidas por Obree e o prórpio Boardman. Com essas mudanças estabelecidas, ficou claro que talvez o recorde de Boardman jamais cairia, tamanha a diferença em arrasto aerodinâmico.

Ano passado, o prórpio Bobridge e mais alguns jovens talentos (como Taylor Phinney - campeão mundial sub 23) andaram chegando perto, mas os poucos segundos que ainda os separavam do "superman" parecia uma eternidade.

Mas... recordes existem para serem batidos, e no blog do australiano já havia um post de outubro do ano passado com o seguinte título "Jack is after the superman record..."

Infelizmente, num grande des-serviço ao esporte UCI/COI excluiu essa prova, ícone do ciclismo de pista dos jogos olímpico (como já havia feito com o kilômetro) enquanto mantém modalidades "artísticas". Espero que com essa nova safra de prodígios, as entidades responsáveis se mostrem abertas e voltem atrás do erro.

Alguns comentários no Twitter dos maiores nomes do esporte:

"Wow Jack Bobridge broke my 15yr old world record, 4:10.5 that is an amazing time, congratulations to him" do provavelmente ainda incrédulo Chris Boardman

"Super talent Jack Bobridge, amazing!" Bradley Wiggins - bi-campeão olímpico e mundial da modalidade

E da promessa Taylor Phinney:
"WOW! Jack Bobridge breaks the unbeatable IP world record in 4:10.534!! Congrats bro! That is HUGE!!!"
"Damn I'm motivated to get out n ride my bike this morning! Again, Jack, big Congrats. You're headed 4 a huge season, and even bigger career!"

Imagino o sentimento dos seus competidores...

Abaixo o vídeo do recorde que durava 15 anos com a posição SUPERMAN em plena ação, naquela que provavelmente foi a última...


Eu por outro lado estou aliviado de não ter tido treino de velódromo hoje, pois com certeza eu ia mandar pro espaço minha preparação pro IM :-)

É desse tipo de mídia que o esporte precisa. Espero que Contadores não venham estragar essa festa!

LODD

O Escocês Voador

Talvez a maior batalha de todos os tempos em um velódromo. Cercada por uma história de queda de recordes que muito duraram.

Pra quem não assistiu o filme, "O Escocês Voador" é fascinante, e narra os acontecimentos que culminaram nessa batalha. Talvez, o campeonato de perseguição mais disputado da história!

Uma pena terem acabado com esse ícone do esporte nos jogos olímpicos... Como pôde?!?


LODD

Presente de Natal

Essa me foi enviada ontem pelo grande amigo Luiz Eng...

A seleção dos melhores ciclistas e a seleção das músicas são EXCELENTES!

Assista na ordem...




Feliz Natal à todos

LODD

Mais um final de ano...


Parece que final de ano é época de trocar de bike… sempre!

E como todo final de ano eu tenho recebido alguns e-mails, telefonemas, sinais de fumaça, etc.. de amigos perguntando sobre bike – os caras ainda acham que eu entendo alguma coisa disso J

Então vou tentar colocar aqui um breve resumo de tudo que eu mais tenho respondido ultimamente. E já partindo com meu novo princípio para 2011 – Responder aquilo que me foi perguntado, não o que querem ouvir – Já me desculpo de ante mão, e justifico que são impressões e experiências minhas, e que estão longe de serem certas, erradas ou tanto faz… Além do mais, sempre que eu falo sobre o assunto coloco em linha com as minhas necessidades como atleta, e não como aficcionado por bikes!

As SuperBikes

Bom, este final de ano eu tive a oportunidade de ver todos os lançamentos (exceto pela nova Felt DA que parece que ainda é “vaporware”). Estive em NY na R&A Cycle e aquilo deve ser uma mini versão da inter bike. Em novembro, os caras já tinham tudo. Todos os super quadros, rodas, pedivelas, etc..

O que eu achei? Exceto a nova Trek (essa não tinha na R&A mas já vi algumas rodando por aí) as outras “superbikes” não servem pra mim, e acho que também não servem pra 99% dos ciclistas – Quem assistiu ao Tour de France esse ano deve se lembrar de ver parte dos ciclistas de ponta (inclusive os principais protagonistas da volta) se baterem com suas bikes de CRI.

Ficou claro pra mim que os projetistas das principais marcas se esforçaram ao máximo pra fazer a bike mais aerodinâmica possível no tunel de vento, mas se esqueceram do componente mais importante – o ciclista!

O Conceito de Ergonomia tem sido abolido cada vez mais, e agora não é a bike que se ajusta ao atleta, mas sim o contrário. Bom, eu podia falar que isso serve pra 40km se você não tiver que corer depois, mas pelo Tour ficou claro que nem pra isso serve mais.

As opções de ajuste são tão minimas que eu nem sei se a partir da próxima leva elas vem com opção de regulagem de altura de selim… Tem bike que não te dá nem mais a opção de usar o pedivela que melhor convém…

A Trek Speed Concept parece que foi a única realmente desenvolvida pensando no atleta (e no TRIATLETA). Tem seus contras, mas num mundo perto do perfeito serve a uma grande gama de atletas.

Lógico que alguns atletas de ponta se beneficiariam de tais quadros, mas na minha opinião isso somente vai acontecer depois de investir num bom bike fit e num bom par de rodas (que alias é o que promete fazer a diferença pra próxima temporada), essas são ferramentas que vão melhorar muito sua aerodinâmica e te dar aquela “free speed” que os quadros novos tanto prometem, mas em sua maioria não vão cumprir!

O Dia a Dia

Fit e ajustes à parte, pra mim o que ainda pega bastante é a “treinabilidade” com essas bikes. Não importa o quanto “ultima geração” seja o quadro - encostado na parede todos são igualmente lentos!

E algumas dessas bicicletas realmente só iam funcionar pra minha realidade de treinos se eu tivesse um carro de apoio atrás, em alguns casos com um mecânico e em outros com um segurança armado!

Portanto, isso ia me fazer ser mais seletivo nos treinos, treinando menos e consequentemente piorando minha perforance!

Investimento que não se perde.

Depois disso, o investimento em treinamento, e aqui entra um medidor de potência juntamente com conhecimento do assunto, coisa que o Max está oferecendo através de um training camp com Hunter Allen (o pai do treimento com power meter) - veja aqui.

Voltando a normalidade, Se você já possui uma bike da geração antiga (P2, P3, Plasma, Felt DA, e por aí vai…) Dificilmente você vai perceber diferença de performance. O fator “novidade” pode dar um gás a mais por um tempo, mas se o fit for o mesmo eu duvido que a diferença seja mensurável.

Lógico, eu para 2011 vou arrumar um quadro novo (Não, não é nenhuma das novas “super”) apostando mais em uma melhora de posicionamento do que num rendimento do quadro propriamente dito. E, como aconteceu no começo desse ano com a Willier Cento Crono, pode ser que minha boa e velha Kuota Kalibur (é… aquela mesma que ainda tem o pedal mais rápido da história no Hawaii J) prove mais uma vez, ainda ser melhor!

LODD