Reality Shock


Após assistir uma palestra sobre treinamento com potência do Rich Strauss – um dos meus primeiros gurus sobre o assunto, perguntei a ele “Ao começar um ciclo de treinamento, quando estamos prontos para testar?” e ele me respondeu “Se você está pronto pra sair pelo portão, está pronto para testar”...

Lógico que eu ainda não estou pronto pra sair portão a fora pedalando, mas a mensagem contida na resposta não era essa. O que ele quis dizer foi que se você planeja treinar pra valer, é melhor saber onde e como treinar. O engraçado é que muito atleta não gosta de testar, ou evita teste de performance quando fora de forma, pré temporada, etc.. Eu pessoalmente acho isso um erro, afinal de contas não dá pra ter bons resultados se traçando uma meta em cima do que você já foi um dia ou pretende ser daqui um tempo.

Por isso nessa terça-feira – dois dias após meu “retorno” aos treinos eu me motivei o suficiente e subi na bike para um teste de FTP.

Repetindo no computrainer o teste que eu já cansei de fazer na estrada e no velódromo. O mesmo protocolo, só que dessa vez (como era de se esperar) com números mais “magros”.

O teste é simples: Após aquecer eu faço um tiro de 5min sempre perto do limite pra dar uma eliminada naquela sensação de “descanso” que a gente tem todo começo de treino e evitar de começar a parte principal do treino com muita “sede” e obter resultados destorcidos. Depois eu giro por 10min e começo aumentar a potência até perto daquilo que no momento me parece plausível segurar por 1h – como todo atleta, minha síndrome de superman vem bem a calhar nessa hora porque, na verdade, eu não vou precisar segurar essa potência por uma hora, mas só por 20 minutos. Aí, no final eu sempre dou uma apertada no ritmo, por dois motivos: o primeiro, óbvio é pra aumentar a media; e o segundo é pra poder fazer um treino progressivo.

O máximo que pode acontecer é eu quebrar e ainda assim fazer um belo treino, com mais de 15min em intensidade alta.

Como dá pra notar no perfil do gráfico, o computrainer com sua função ergométrica torna a vida bem mais fácil – tudo que eu tive que fazer foi ir apertando os botões e aumentando a carga progressivamente até chegar onde eu “achei” que conseguiria manter.

Analisando os resultados:

Eu já estava preparado pra ter que lidar com resultados adversos, afinal de contas 45 dias parados fazem um senhor estrago.

Minha potência de 20min ficou mais de 20w abaixo do que estava pós IM (isso porque eu coletei esses dados no meio do brasileiro de contra-relógio, que foi uma prova de mais de 30min), mais de 25w abaixo do que se encontrava durante os treinos por IM; e mais de 40w abaixo da minha melhor marca.

Lógico que como todo ser destreinado, grande parte dessa perda volta rápido – caso contrário vou ter que passar o resto da vida treinando pra voltar a minha melhor forma e, mesmo assim acho que não vai dar J

O tiro de 5 minutos é que realmente me deixou bastante desapontado. Aquilo que costuma ser minha “bomba nuclear” que inclusive já me levou a resultados expressivos em provas de distancia próxima (perseguição) simplesmente desapareceu. São pelo menos 50w abaixo da minha forma pré IM – o que já era baixo visto que eu não treinava pra isso, e prefiro nem mesmo fazer conta de quanto eu perdi em relação a minha preparação pro brasileiro de perseguição de 2010.

O que me acalma, de certa maneira é o fato de que as potências máximas de 5min são geralmente um indicativo de Vo2, e condicionamento nessa zona é aquele que se altera mais rápido em período de inatividade – Só espero que ele volte tão rápido quanto se foi.

Com tudo isso, o FTP que eu geralmente estabeleço a 95% do resultado do teste de 20 minutos me deixou em duvida. Dos meus 10 melhores picos de 5min de potência, 6 se deram dentro desses testes. Então, já que eu não fui capaz de fritar as pernas como devia, achei num primeiro momento que deveria tirar um pouco dessa estimativa, mesmo porque eu simplesmente me proibi de abaixar a resistência nos 5min finais. Tivesse sido na estrada ou no velódromo eu provavelmente teria “quebrado” no final. Mas ao consultar o fórum de discussão sobre wattagem no Google groups o outro lado da conta me saltou aos olhos – visto que minha potência de pico caiu demais, a probabilidade dela interferir no resultado do teste de 20min diminui, criando uma “curva de fadiga” menos acentuada, fazendo assim com que o FTP possa ser estabelecido em porcentagens maiores do que os 95% comumente usados.

Pendendo um pouco pra lá e outro pouco pra cá, fechei meu FTP na casa dos 320w, pois qualquer erro que possa existir tanto pra cima como pra baixo parece ser pequeno demais pra gente “brigar por isso”... Lógico que no decorrer dos treinos vou ter outros meios de acessar essa informação e fazer qualquer mudança necessária – afinal de contas, tempo e conhecimento pra isso eu tenho de sobra J

Agora, a partir disso é só traçar a estratégia de acordo com as necessidades e botar as pernas pra trabalhar.

Aqui o arquivo de potência do teste para quem quiser espiar.

LODD

Ossos do ofício


Bom, pela foto acima dá pra perceber que esse tem sido um período de grande inatividade.

Infelizmente, ou felizmente – a gente nunca sabe – a um mês atrás eu sofri um acidente durante um “passeião” de bike…

Peguei um caroço na pista, na D. Pedro perto do pedágio de Itatiba e sem mais nem menos fui lançado ao solo. Tinha acabado de voltar de uma viagem de ferias (maravilhosa por sinal) com a família e saí com o Diogo para dar um pedalzinho “pra bater papo” – o Diogo é original de Vinhedo, mas ta morando em Taiwan (trabalhando na FSA) e como eu, tinha acabado de aportar em terras brasilis. Nem preciso dizer que o rítimo do pedal tava bem água com açúcar. Eu há mais de 15 dias sem subir na magrela e ele com um jetlag de 48h de viagem nas costas… Mesmo assim, aquele é um trecho rápido da pista.

A gente vinha colocando o assunto em dia quando do nada, o guidão saiu da minha mão e numa fração de segundos eu aterrizei a 50kph em cima do meu ombro esquerdo. Cair nunca é algo agradável, na estrada então é uma sensação horrível pois o primeiro reflexo que a gente tem é o de sair correndo para uma parte segura do acostamento. E foi nesse “repente” que eu vi que a clavícula tinha ido pra casa do chapéu… de novo

Em 2001 eu estava num treininho acelerado com o Marcão CB quando um opala parado no acostamento resolveu abrir a porta na hora que eu tava passando. Foi bizarro… eu sanfonei a porta do opala e a clavícula quebrou perto da articulação. Nem achei que tivesse sido nada de grave, pois daquela vez ainda peguei a bicicleta e voltei pedalando. Mas a proximidade da fratura em relação a articulação fez a cirurgia ser inevitável.

Desta vez um tombo idiota, talvez o mais idiota de toda minha vida mas que com certeza fez o maior estrago.

Agora a dor era insuportável… fora que eu achava que tinha quebrado algumas costelas também, pois mal conseguia respirar. Mas acabou que foi “só” a clavícula mesmo, mas em 3 partes L

E diferente de 10 anos atrás desta vez a cirurgia não era obrigatória mas sim uma opção, que eu tomei uma semana após o acidente, depois de ouvir todos os prós e contras, do meu medico – diga-se de passagem, o mesmo que me operou a 10 anos atrás, e que deixou meu ombro tão zero bala que nas chapas nem ele achava a fratura anterior J

Em 2001 um simples fio foi usado pra prender os ossos no lugar. 2011, a brincadeira foi mais "feia" com uma placa sendo fixada por 6 parafusos pra literalmente "pregar" tudo junto!

E nessa vida, nada acontece por acaso…

Posso dizer sem a menor dúvida que esse é o meu maior período longe da bike. Contando com as duas “clavículas” ao todo foram 4 acidentes que me afastaram (por um motivo ou outro) dos treinos. Nunca, por mais de um mês – O problema é que desta vez as coisas se aglomeraram… pós IM, viagem com a família, acidente… com tudo isso posso afirmar que, embora eu tenha pedalado (e até mesmo competido), desde antes do IM que eu não treino pra valer.

Precisa dizer o estado em que eu me encontro?

Semana passada, num surto de “não aguento mais” coloquei a bike no rolo só pra dar uma girada. Foram LONGOS 30 minutos, e me lembro de ficar assustado ao ver minha FC acima dos 145bpm enquanto eu fazia educativo com uma perna só a míseros 90watts – E a merda da referência é essa, antes do IM eu segurava perto dos 300w com essa mesma frequencia por mais de 2h :-o

Bom, mas nos ultimos 2 anos meu ciclismo vinha numa tendência de “plateau”. 2009 foi o último ano com ganhos realmente significativos, e talvez essa “resetada” tenha vindo a calhar pra começar tudo de novo… do zero… literalmente do zero!

Eu realmente gosto desse desafio. Durante os ciclos de treino eu fico com receio de arriscar coisas novas e diferentes por medo de interferir nos ganhos anteriores, e com essa “oportunidade” vou poder colcar um novo plano e testar mais coisas – no estado que eu me encontro tenho certeza que qualquer estímulo vai trazer ganho, portanto o risco deixa de existir!

Bom, para os que acompanham esse blog vou colocar os treinos semana a semana e analisar aquilo que esta acontecendo. Se alguém quiser dicas pra evolução no ciclismo, TALVEZ essa seja uma fonte de referência.

Gostaria de aproveitar esse espaço pra agradecer a todos os amigos que se preocuparam, que ligaram, mandaram mensagens positivas, torceram e oraram pela minha recuperação. Vou levar isso comigo para sempre.

Mas em especial, queria agradecer minha família. Hoje eu tenho certeza de que Deus permite que esses pequenos incidentes aconteçam para me reafirmar o quanto de amor eu possuo dentro de casa… o quanto de sorte eu tenho pela família maravilhosa… o quão feliz eu sou!

Meus filhos, em especial o Léo que acabou virando meu braço “esquerdo” literalmente e minha mulher, que segurou o rojão aceso por 15 dias, a parte mais difícil da minha recuperação - sem empregada (férias) e com as crianças em casa (férias também)... Amo muito vocês!

Abs

LODD, pronto pra recomeçar embora ainda confinado à tipóia J

Começando as alterações (finalizado)

Hoje comecei algumas mudanças no fit da minha Felt. Já que a fase do "conforto" pra IM passou, agora vou aproveitar o potencial ABSURDO que essa bike tem pra conseguir alguns ganhos aerodinâmicos visando provas mais curtas e provas de CRI - é... o Brasileiro ta aí e a idéia é "participar" :-)

O vídeo abaixo mostra a primeira mudança: Abaixei bem a frente e um pouco o selim. Já que pra provas mais curtas eu tendo a usar uma potência bem mais alta, isso acaba influenciando diretamente minha cadência, que passa de baixíssima (na casa dos 70RPM) pra razoável (na casa dos 90RPM) e por isso eu acabo conpensando um pouco na altura do selim.

Fechei um pouco o clipe também pra tirar um pouco do arrasto criado pelo posicionamento das mãos.




No geral gostei das mudanças. Comecei bem, mas ainda tem uns ajustes finos pra se fazer: A bike parece um pouco "desequilibrada" no rolo solto, vou ter que testar na estrada pra ver e talvez precise abrir um pouco o clipe de novo. Fora isso, vou testar recuar um pouco o selim, sem alterar minha posição em relação ao movimento central, isso vai deixar meu quadril um pouco mais "livre" e as costas um pouco mais retas.

LODD

P.S. Conforme as sugenstões do Max nos comentários, fiz algumas outras mudanças para o que agora me parece definitivo. Troquei o avanço por um maior, e recuei pouca coisa o selim. Consegui uma posição mais "baixa" e com as costas mais retas.


Respondendo (parte I) - Qual Powermeter


Abrindo um espaço pra responder algumas perguntas que têm aparecido com frequência - Incrível, mas ainda tem gente que acha que eu entendo alguma coisa!?!?! :-D

Bom, o pessoal têm me perguntado qual o medidor de potência que eu recomendo? Acho que já postei alguns prós e contras de cada modelo ha algum tempo atras, mas não faço recomendação. Posso dizer qual o meu "eleito" e porque:

PowerTap da CycleOps - até debaixo dágua!

Não é o mais confiável (esse ainda fica por conta dos medidores SRM - usados já ha mais de uma década pelo pelotão pró), mas já foi testado e batido o suficiente pra provar que é confiável. Além de, se necessário, possuir um excelente atendimento pós venda.

Também não é o mais "versátil" pelo fato de ser um cubo, montado direto em uma roda e forçando assim o atleta usar a mesma roda sempre (ou ter mais que uma roda para treinos, competição, etc..)

MAS... embora no papel o SRM ainda seja o melhor e a limitação de versatilidade dele só se dê "em teoria" na escolha do pedivela, eu elegi o Power Tap por alguns "poréns"

1o - Mesmo estando "apegado" a uma só roda, ainda é o sistema mais barato e extremamente versátil para quem pedala com mais de uma bike e como eu, faz questão de usar um medidor de potência até em treinos regenerativos.

2o - Dependendo do que o atleta já tiver, ainda pode ser uma opção mais barata para montar 2 rodas (treino e competição) do que um SRM

3o - A coisa de ter que mandar pra fora do país pra trocar bateria e calibrar... Um maníaco como eu ia precisar de um de reserva (ou ia ficar pilhado cada vez que a bateria estivesse pra acabar). Vai parecer coisa de Nerd, mas isso ia acabar gerando inconsistência nos meus treinos.

Números por números, ambos são iguais... pelo menos no que diz respeito a precisão dos números - Eu sei, que alguém vai dizer que pela natureza da obtenção de dados, o SRM marca mais potência que o powertap pois o PTap tem energia dissipada na corrente antes de chegar ao cubo, coisa que o SRM não tem. Certo, do mesmo jeito que quando lançarem o medidor de potência nos pedais, vai ter leitura numérica maior do que a do SRM. Mas o que acaba importando é a consistência nas leituras se o atleta pedalar 10w hoje e 20w amanhã foi uma melhora de 100% e pouco importa esses poucos watts que um lê a mais que o outro.

Ainda uma nota sobre a durabilidade dos PowerTaps - tenho 3 cubos PTap com fio, sendo um desde 2003. Um deles já tem mais de 20.000km e NUNCA deu nenhum problema.

O GRANDE PROBLEMA: Rodas disco - pra quem "precisa de qulaquer maneira" competir com disco, vai ter que morrer com uma boa grana pra adquirir uma roda específica com PTap (ainda não cheguei lá... quando eu uso disco geralmente eu não vou precisar dos números)

E os outros? Bom, antes de começar as trocas pelo mundo dos "sem fio" eu pesquisei... O Quark parece um excelente custo benefício, mas parece que ainda têm algumas unidades que apresentam problemas e tem alguns bugs, e ainda "era" uma empresa nova, sem muito nome no mercado - o que acabou pois foi recentemente adquirida pela SRAM (grupos).

Espero que ajude.

LODD

Arquivos de Potência do IMB



Uma das melhores surpresas do final de semana do IMB foi podido participar de um debate sobre treinamento com medidores de potência na véspera da prova.

Muito bacana ver que já existe um "universo" de usuários desses aparelhinhos (que na minha opinião são o melhor investimento que um atleta pode fazer para sua performance), e que além de tudo tem muita gente interessada, pesquisando, analisando, etc..

Por isso, depois de uma troca de idéias via twitter do MundoTri criei uma planilha para aqueles que quiserem, compartilhar os dados da prova.

É só clicar aqui e preencher na planilha os dados que você tem. Quem não quiser não precisa se identificar.

Com base nos dados, a pedido do MindoTri vou escrever uma análise das diferentes táticas de prova, e se possível contando com dados de alguns atletas profissionais também.

LODD

O Último?



Talvez esse sub 10h não esteja realmente "em mim". O negócio agora é partir para outro desafios, afinal de contas, a vida está cheia deles.

Obrigado aos grandes companheiros em mais essa "viagem": Ciro, Murilão, Alê Takenaka, Arthur, Primo, Mestre Azevedo, Ariane e minha grande parceira Aninha Oliva... Valeu pelos excelentes momentos em cima e fora do selim, e parabéns a todos vocês pela prova de Domingo.

E um especial pro meu grande IRMÃO, Luiz Eng parceiro pra qualquer parada nessa vida. Aquela chegada vai ficar marcada como a mais emocionante até hoje!