Que vergonha Sr. Armstrong!

Essa foi um choque! Golpe baixo e sujo... ta explicado porque Alberto Contador fez o CRI da vida dele, com uma motivação como essa acho que até eu fazia frente pro Cancellara

Infelizmente está tudo em espanhol, mas vale o esforço!

Lances do Tour


Embora tenha sido a volta “oficial” de Lance Armstrong ao Tour de France, 4 anos após a últimas das suas 7 vitórias consecutivas, definitivamente não se trata mais dele. Lógico, todos vão dizer (como já ouvi muitas vezes) “o cara ficou 4 anos sem competir, voltou e ficou em 3o no geral, não ta bom?”

Simples e direto: Não, não está bom! Ele não tinha o direito de ir brigar por terceiro lugar... não o homem que venceu o câncer, a morte, e 7 vezes a prova de estágio mais dura do mundo. Simplesmente ele não podia ter ido lá pra brigar por terceiro e ponto final. Ele saiu de um pedestal para mostrar-se um mortal comum, que sofreu muito e foi batido como nunca em todos os aspectos da corrida. Ponto final!

Esse ano não houve disputa pela geral do Tour de France, ele começou e terminou com todo mundo já sabendo quem seria o campeão – ele, o espanhol Alberto Contador, mostrou que é o melhor ciclista da atualidade. Eu se pudesse, teria apostado dinheiro nele 3 semanas atrás sem a menor chance de errar. Mas até a mim ele surpreendeu. Bater o Suíço Fabian Cancellara num CRI realmente foi o ápice de uma performance assustadora, só espero que por trás disso a gente não descubra mais um “super médico”.

Eles tinham tudo nas mãos, tanto Lance Armstrong quanto Alberto contador contavam com uma equipe galática (e talvez somente esse fosse o grande desafio para ambos, lidar com várias estrelas juntas) – A coisa era tão desbalanceada que durante grande parte da prova a Astana contava com 3 ciclistas entre os 5 primeiros, e se tivessem trabalhado mais em conjunto poderiam chegar ao feito inédito de 3 membros da mesma equipe no pódio final, sim, pois o ataque “sem motivo” do Alberto Contador na etapa de quarta-feira última acabou causando danos em seus próprios companheiros e equipe e ajudando os irmãos Schleck na classificação geral.

Mas chega de blá blá blá, e falemos das duas grandes revelações do Tour – não, nada de Lance, nem Contador nem Cancellara...

Os dois grandes nomes do Tour esse anos vieram da Inglaterra:

Primeiro o grande sprintista Mark Cavendish – o homem mais veloz em cima de uma bicicleta hoje em dia. Ganhou seis etapas do Tour deste ano, ainda tenho que procurar, mas puxando pela memória não me lembro de um feito desses. A história é a seguinte: se ele estiver no bolo no último kilômetro, a disputa é por segundo colocado. Ele é tão estupidamente superior que os outros sprintistas disputavam para ficar na roda dele – algo que normalmente ajuda quem vem atrás, o problema é que nesse caso ninguém conseguia nem tirar de lado.

Como um bom ciclista de pista, Mark Cavendish tem uma potência de explosão assustadora, mas o que mais chamava atenção em seus sprints era a cadência que ele usava para acelerar a bike. Sprintistas são conhecidos por manter cadências altíssimas com potência e velocidade assustadora, mas comparado ao britânico, os outros sprinters pareciam estar fazendo sessão de força, com marcha pesada.

Pra quem não conhece da história dele, Mark Cavendish é campeão do mundo de Madison (prova de pista onde ciclistas revezam por 60km com um puxando o outro) e durante o Tour do ano passado abandonou nas etapas de montanha após ter vencido 4 etapas no sprint, para se dedicar ao treinamento para a prova de Madison nas olimpíadas. Evento esse que entrou como favorito, uma vez que era o atual campeão do mundo mas ironicamente foi o único membro da equipe de pista britânica que não trouxe uma medalha para o pais, e foi muito criticado por isso.

Lógico, que um sprinter não se faz sozinho, e Mark Cavendish contava com o maior e melhor apoio de uma equipe impecável. A Columbia High Road é a equipe mais vencedora esse ano no Pro Tour, eles tem alguma coisa como o mesmo número de vitórias que todas as outras equipes juntas, e isso não porque eles tem os melhores sprinters, mas porque eles tem a melhor equipe de “embaladores”. Pra quem assistiu alguma das etapas que o Cavendish ganhou viu como funcionava o “expresso” Columbia. Eu tive a oportunidade de ver um arquivo de potência de um dos embaladores da equipe, o homem que lançou Mark Cavendish na chegada para sua 2a vitória, e ele simplesmente para de acelerar acima dos 66kph, nisso o incrível britânico pula e provavelmente cruza a linha de chegada acima dos 80kph...

Mas, ironicamente ele não levou a camisa verde dos sprinters, esta ficou para o Norueguês Thor Hushvd, que não bateu o britânico em nenhum sprint (a única etapa que Hushvd ganhou foi a que teve uma quebra no pelotão e o britânico ficou na segunda leva... Chris Carmichael escreveu em sua coluna na Pez Cycling que um ano, o Alemão Erik Zabel ganhou a camisa verde sem ter ganho nenhuma etapa se quer no sprint, e que nesse ano, mesmo tendo ganho 6 etapas, Cavendish foi pra casa sem a verde... coisas da regra, e como regra é regra não cabe a mim discutir!

O outro britânico de ouro é Bradley Wiggins, nada mais que 3 medalhas de ouro olímpica! Onde? Acertou, no velódromo!!!!

Wiggins foi campeão de perseguição individual (aquela prova longa de 4km) em Atenas, e repetiu o feito em Beijing juntando ainda mais um ouro na perseguição por equipes (onde a Grã Bretanha bateu o recorde mundial de quebra).

Assustador, é como um ciclista desses sem nenhum histórico relevante em estrada vai para o Tour de France e quase garimpa um pódio, terminando em 4o lugar a segundos do mr. 7x campeão Lance Armstrong???

Mais impressionante ainda é pensar que ele perdeu esse pódio por conta de uma equipe muito mais fraca, pois na duríssima etapa de quarta-feira passada ele sobrou sozinho sem companheiros de equipe com os grandes tubarões e teve que se defender nas duas últimas montanhas, o que fez ele tomar um tempo extra e com certeza drenou suas energias.

Wiggins perdeu 7 kilos nos últimos 2 anos para conseguir uma relação peso x potência grande o suficiente para brigar nas montanhas (bom já que potência ele já tinha por ser um demônio na perseguição ele só precisava perder peso sem perder força, e foi o que ele fez).

Mas pra quem assistiu a etapa do Mont Ventoux, viu que mesmo sendo muito potente e com um peso bom ele sentia falta de uma “caixa de fósforos”mais cheia, pois se eu contei umas 3-4 acelerações que ele conseguiu responder foi muito, depois o pessoal atacava, abria e ele mantendo o “passo”e a força trazia de volta. Foram inúmeras as vezes que eu vi a quarta colocação dele escapar e esse “monstro” buscava de volta!

No geral foi um excelente Tour, marcado muito mais pela briga pela 3a colocação do que pela geral, e com (por enquanto) somente um caso de dopping.

A parte triste foi o tombo do monstro Jens Voight, que caiu na 2a semana e se machucou seriamente. E, obviamente o dopping do Danilo DiLucca L

PaCE(iência) - 2a parte

A foto acima da "dupla dinâmica" Jú Berti e Talita Saab nos jogos regionais - um ouro, duas pratas e um bronze no ciclismo pela cidade de Itatiba!


Infelizmente para nós triatletas ou contra-relogistas, a história das caixas de fósforos não acaba no pelotão, ela é parte essencial de um bom pace em um contra relógio.

Recentemente em troca de e-mails com o Luiz Eng, ele me apresentou um novo conceito de medida de intensidade, o qual ele disse estar usando com bastante sucesso para dosar os treinos fazendo com que ele terminasse o treino negativando em potência (ele, como eu também treina com ajuda de um medidor de potência). O conceito que ele batizou de “limiar de queimação” pareceu meio coisa de doido no começo, mas depois de pensar um pouco, se transformou em uma idéia genial, e fez bastante sentido.

Ele disse que durante a 1a metade dos treinos ele fazia força nas subidas até a perna começar a sentir aquela “pré queimação” característica de quando a gente está fazendo força suficiente pra começar a acumular fadiga. E que depois de um tempo ele estava passando as subidas muito mais controlado e sem extrapolar seus limiares de potência, e com isso ele estava conseguindo voltar com maior potência que na ida, terminando o treino bem mais forte e saindo pra correr mais inteiro.

Como bons contra-relogistas, nós triatletas provavelmente temos uma caixa de fósforos extremamente limitada (se este não é seu caso, acredite: você está no esporte errado J) e o começo de treinos e provas se mostra crucial para controlarmos as pernas e guardarmos nossas energias, pois diferentemente dos ciclistas de pelotão a “queima” dessa energia extra não vai trazer nenhum benefício, visto que andar no pelotão (em teoria) não é permitido.

Colocando de maneira bem simples, no começo de um treino ou prova, a sensação de “pernas novas” pode mascarar o abuso de força, fazendo com que o atleta “queime seus fósforos” sem perceber. Se isso for bem controlado no começo, depois de um tempo torna-se muito mais difícil de passar dos limites, pelo fato das pernas já estarem com uma sobrecarga e aquela explosão de energia não acontecer mais tão facilmente. Simples então, a chave pro sucesso é começar devagar e ir apertando?

Mais ou menos. Para o triathlon sem vácuo isso é uma verdade, mas para provas de contra-relógio ainda existe a questão de saber como lidar com a aceleração inicial saindo da rampa de largada, porque no final ninguém quer saber se seu padrão de potência foi bem distribuído, mas sim qual o tempo que você completou o percurso, e levando em conta que provas de contra-relógio são decididas por míseros segundos, a aceleração inicial torna-se uma parte critica da prova, que como todo o resto deve ser treinada.

E numa prova com vácuo liberado? Bom, aí o começo forte pode ser uma questão de sobrevivência, e talvez o atleta precise de mais explosão inicial do que numa prova de CRI, mas algumas diferenças devem ser levadas em consideração: num CRI o atleta aquece muito (mais de uma hora na maioria das vezes) e em sua própria bicicleta, terminando não mais do que 10min antes da largada estando portanto pronto pra sair girando as pernas forte; enquanto num triathlon, na maioria das vezes, na saída pro pedal o sangue ainda está concentrado nos braços, e sair dando tiro da T1 pode acabar com a prova até mesmo do ciclista mais forte. A dica nesta situação é de colocar uma marcha “pesada” assim que calçar as sapatilhas até a hora que estiver encaixado no pelotão, e a partir daí girar mais as pernas pra que o sangue comece fluir normalmente. Pedalar pesado nesse caso faz com que a necessidade de sangue para as pernas não seja tão grande e que aos poucos a irrigação vá melhorando – Quem quiser pode fazer um teste simples de subida usando alta e baixa rotação para a mesma velocidade e através de um monitor cardíaco constatar que a alta cadência faz sua FC subir mais – Mas esta lógica só vale se o esforço for curto e que a recuperação aconteça, caso contrario a prova pode acabar na T2 L.

Algumas dicas em cima de erros que eu já cometi nos percursos mais conhecidos do triathlon:

Internacional de Santos: como todo percurso de vai e volta, controle na ida é fundamental, não tem curvas, nem subidas para diminuição de velocidade e mudança de posição em cima da bike ficando portanto muito mais fácil de extrapolar na ida e depois “culpar” o vento pela volta mais lenta J

Troféu Brasil Santos: A chave pra esse percurso depois de não se matar na avenida da praia é usar cérebro para lidar com as curvas fechadas do percurso, ninguém precisa fazer as curvas no volantão, e por falar em curvas, treinar curvas fechadas é um excelente ganho de tempo para esse percurso!

USP: Blah... esse percurso é duro. Eu particularmente adoro (a parte técnica, não os buracos, lombadas e treme-treme) tem de tudo, parte rápida, parte lenta, parte dura, e por aí vai. Acelerações bem dosadas e curvas bem feitas são a chave pra esse percurso, uma bike não muito agressiva também ajuda e muito na parte interna da cidade universitária, se pudesse eu trocaria de bike no portão de entrada... Onde eu vejo maior potencial pra erro de pacing são nas subidas, que são um pouco duras, curtas e em nenhuma delas a gente vem embalado o suficiente pra só “passar”. Esse é um percurso em que as 20 marchas da bike fazem valer o investimento!

Caiobá: Esse é falsamente fácil. Plano e todo mundo tem a impressão que dá pra decolar... Toda vez que tive essa impressão lá me dei muito mal! Nunca peguei aquele circuito com vento (embora o pessoal de lá diz que venta bastante) mas sempre ouvi comentários do tipo “nossa, como ventou na última volta” – eu mesmo já pensei isso e, sinto muito, mas esse comentário deveria ser “nossa, como eu fiz força de mais na 1a volta”. Quer uma boa dica pra essa prova? Se em algum momento da prova você achar que o pneu ta mucho ou o vento aumentou subitamente... você já era!

Ubatuba Long: Pérola dos percursos de ciclismo no triathlon brasileiro, as subidas longas tornam esse percurso um dos mais difíceis de se dosar as energias corretamente. Mesmo com a ajuda de um medidor de potência eu já falhei miseravelmente várias vezes. Embora as subidas mais duras estejam na ida, os 11km antes do Félix na volta são na minha opinião o divisor de águas da prova, é quase tudo de ganho de altitude com pequenas quebras, nada muito inclinado, mas é muito tempo de potência constante, sem alivio significativo. Quem chega ali com as pernas “razoáveis” fez um excelente trabalho e está próximo de uma prova perfeita (no pedal, claro J).

Pirassununga: Rápido! Mas sempre começa a ventar da metade pro final?!?! Ou será que a gente começa a cansar mais a partir daí e qualquer vento se torna um furacão? Pirassununga está longe de ser um circuito plano, mas é um circuito que embala MUITO, os constantes “sobe e desce” fazem com que as velocidades medias sejam altas. Qual o segredo lá? PASSEAR na primeira volta, e a partir daí trabalhar as subidas ao nosso favor – eu gosto da expressão “aplanar a subida” ou seja fazer com que ela não exista do ponto de vista de variação de força (cuidado: isso não funciona em Ubatuba!). Pela característica do terreno a gente sempre vem embalado antes de uma subida, a idéia é entrar na subida mantendo a pressão nos pedais, e trocando de marcha – para a maioria dos atletas só isso basta para passar 90% delas – mas se ela não acabar antes das marchas, deixe pra fazer aquela força “extra” perto do topo e mantenha até a bike embalar na próxima descida novamente, em termos de velocidade media isso é muito mais eficiente que subir fazendo força e assim que chegar no topo parar de pedalar e “esperar” a gravidade agir!

Como o Sebá bem disse uma vez, isso tudo acaba se tornando muito mais uma questão de confiança do que outra coisa, por isso que alguns dos treinos tem que refletir o que você pretende fazer na prova, pra ver se realmente funciona. Se funcionar, USE no dia da prova. Não é porque alguém passou voando na saída da T1 que você tem que mudar a estratégia!

E no Ironman?!?!?! J


Burning Matches

Semana passada estive competido ciclismo nos jogos regionais. Já fazia mais de dois anos que eu não me metia numa prova de circuito, e honestamente deveria ter ficado de fora mais alguns anos J - Tinha me esquecido como é duro esse tipo de prova e de como eu definitivamente não nasci pra isso. Vira, arranca, diminui, arranca, breca, vira, arranca... por 40 voltas de 1km... blah... eu tava morto a partir da quinta e tive que me segurar por mais de 30 voltas pra não sobrar do pelote nas inúmeras arrancadas. Mas acabou sendo um excelente treino J

Eu me considero um bom contra-relogista, não um bom ciclista e talvez por isso não me dê bem em provas com circuito curto, nem de montanhas. Lógico que ter ficado de fora por tanto tempo acaba afetando a parte técnica (curvas erradas, mau posicionamento no pelotão e até mesmo erro de mudança de marcha), mas afinal de contas, qual a diferença? Porque na etapa de montanha desta última sexta-feira vimos o Expresso Cancellara ser largado pra trás como um simples mortal sendo que a imagem dele entrando no Alp d’Huez puxando o pelotão a mais de 40kph e despedaçando as esperanças de muitos no Tour do ano passado ainda estava viva em nossa mente?

A resposta está longe de ser simples, mas posso tentar colocar da seguinte maneira: Um bom contra-relogista não nasce pronto, ele é resultado de muito trabalho, treinos, dedicação, sofrimento e conhecimento. Enquanto um bom ciclista é o resultado de tudo isso aliado a uma boa escolha de pai e mãe, e no caso de uma prova como o Tour de France, a escolha dos avós também é importante J

Variação e quebra de ritmo. Essa é a chave pra se largar um cavalo como Fabian Cancellara ou Gustav Larson pra trás numa etapa de montanhas. Estes ciclistas, especialistas em contra-relógio são máquinas de despejar potência moderadamente alta por muito tempo sem cansar ou “quebrar”, mas é só fazer eles passarem do ponto algumas vezes por pequenos intervalos de tempo que a criptonita sai da caixa e a fraqueza desses super-homens aparece.

Existe um termo na literatura ciclística em inglês “burning matches” ou queimando fósforos, trazendo para o português. Este termo se refere a capacidade que um ciclista tem de passar períodos de tempo acima do seu limiar de potência e continuar se recuperando. Como uma caixa de fósforos, é um estoque limitado, uns tem mais, outros menos... uns muito e outros bem pouco. E isto, mesmo sendo “treinável” até certo grau, é em sua maior parte determinado pela genética.

Como exemplo, um especialista em contra relógio como o herói suíço consegue lidar com umas 5 a 10 acelerações de um a dois minutos em potencias acima dos 150% do seu limiar ou talvez 10 a 20 variações de até cinco minutos na casa dos 30% acima – eu sei, é bem complicado e não da pra ter uma idéia direito, mas com certeza ele sabe o quanto ele agüenta e pelo visto a Astana também tinha uma idéia, visto a quantidade de acelerações que eles colocaram em menos de 10km de subida – lógico, eles não são estúpidos e sabiam que por mais forte que fosse o ritmo não iam deixar o camisa amarela pra trás se não fizessem ele ficar oscilando potência. A Astana se lembra muito bem da força constante que ele é capaz de colocar em subidas, alguns membros da equipe estavam sendo despedaçados no Alp d’Huez o ano passado, e o restante com certeza tremeu ao assistir pela TV.

Pra ilustrar, seguem dois gráficos de potência, o primeiro é de um CRI e o segundo de uma prova de circuito:

Exceções a regra existem? Alguns podem dizer que Miguel Indurain era uma exceção, um exímio contra-relogista talvez o melhor de todos os tempos, detentor de recorde da hora e varias vezes campeão do Tour, Giro e Vuelta. Eu por outro lado já acho que ele também tinha sua caixinha de fósforos limitada, mas o teto do limiar dele era algo tão “inumano” que pra fazer ele gastar os preciosos Fósforos dele era preciso MUITA força e que os pelotões raramente conseguiam, fazendo assim com que ele se defendesse muito bem que qualquer tipo de prova!?!?

A arte do contra-relógio está em manter uma potência quase constante e sempre perto do mais “sustentável” possível pela duração requerida, e não em manter a maior oscilação de potencia durante o mesmo intervalo.

Ainda há o aspecto psicológico de conseguir fazer força sozinho, com a cara no vento por muito tempo sem ter uma competição real, a não ser o relógio e o velocímetro. Aquela vontade interminável de competir com você mesmo e com mais ninguém. Algo que ficou claro no crono escalada do Alp d’Huez em 2004, quando o exímio escalador Ivan Basso tomou uma eternidade de tempo do Lance em um terreno em que, em teoria ele mandava. Como? Pode parecer absurdo, mas ciclistas como Ivan Basso precisam de uma referência para conseguir extrair o máximo de seu potencial em subidas, por isso a maioria dos grandes nomes do Tour usam gregários puramente “escaladores” para pacing em parte da subida, e mesmo esses gregários usam a variação de velocidade e potência na subida pra poder manter o seu capitão com a cabeça no jogo.

Então temos dois tipos de ciclistas, aqueles que se transformaram em máquinas de constância e se tornaram excelentes contra-relogistas e aqueles que são naturalmente habilitados a lidar com variações enormes de potência, cadência e torque e viram ciclistas de tour's, critérios e resistência? Não só isso. Existem outros ainda nessa que é uma das modalidades mais diversas do esporte. Existem os sprintistas, os passistas, os perseguidores... e com tempo pretendo falar um pouco de cada uma dessas especialidades.

A Prova da Verdade


Dizem no mundo do ciclismo que a prova de Contra-Relógio é a prova da verdade, onde os melhores vencem, eu discordo. Com certeza é uma prova especial que requer condicionamento diferenciado, tanto que grandes nomes do ciclismo e campeões de Tour’s e Giro’s passaram a vida sem dominar esse tipo de prova.

No meio do ciclismo se fala muito em relação peso x potência, uma vez que as grandes provas são decididas nas montanhas. Tal relação leva em consideração a potencia em watts que um ciclista gera por um determinado tempo e divide esse valor pelo peso em kilos dele – Quem leu o livro “A Guerra de Lance Armstrong” deve lembrar do valor de 7 watts/kg que o Dr Maligno afirma ser o número em que um ciclista se tona imbatível no Tour de France (esse valor se dava pela potencia no limiar de lactato do atleta).

Mas o quanto dessa relação peso potencia influencia um contra relógio?

Na minha opinião, a não ser que seja um “crono-escalada” como foi em 2004 no Alp d’huez essa relação não quer dizer nada. Num CRI (contra-relógio individual) o que mais deve ser levado em consideração é a potencia relativa ao arrasto aerodinâmico e a variação desta potencia no decorrer da prova.

Potencia x Arrasto:

“O” cara do CRI hoje no mundo é um suíço que deve pesar de pernas o que o espanhol Alberto Contador pesa junto com a sua bicicleta J. Exageros à parte, Fabian Cancellara não é um cara pequeno, deve pesar na casa dos 80kg, o que é categoria “obeso” pra qualquer pretendente a campeão do Tour de France ou do Giro d’Itália, mas ao mesmo tempo ele é um monstro no quesito potência. Pra colocar números, Vamos imaginar que o Contador com seus 61kg esteja perto da razão estipulada pelo Dr Michelle Ferrari no livro do Lance. Isso daria um limiar de potência na casa dos 400 e poucos watts para o Espanhol.

Aí pegamos a locomotiva Cancellara com seus 80kg e um limiar (esrimado na casa dos 500 e la vai fumaça watts o que colocariam ele na casa dos “míseros” 6w/kg, não sendo assim um candidato a passar os Alpes e Pirineus na frente de todo mundo, mas o tornando provavelmente imbatível na briga contra o vento e o relógio ;-)

Variação de potencia:

Essa é talvez a maior arma do contra-relogista, mas também seu maior defeito pra lidar com o pelotão.

Todo arquivo de potência que eu já vi até hoje dos grandes contra-relogistas mostra duas coisas claras: a primeira (é óbvio) um MONTE de watts L, e a segunda é o incrível poder que esses caras tem de oscilar muito pouco essa usina de força independente de percurso, vento e etc. Alguns perfis de potencia parecem gerados por máquinas, de tão bem dosados. Lógico, eles fazem mais força nas subidas e com o vento na cara, mas esta variação é somente suficiente para manter aquela cadência, aquela batida. Nada que destrua as pernas nem que comprometa a capacidade deles ganharem velocidade uma vez que a subida acaba ou que o vento mude.

E este talvez seja o maior atributo de um contra-relógio perfeito, dosar as energias de maneira que você dê o seu melhor no percurso como um todo e não em determinada parte dele, como numa subida...

Um excelente exemplo é o do CRI de abertura do Tour ontem, era um percurso estupidamente duro (mas igualmente lindo) de 15,5km que subia mais da metade e a descida na volta era extremamente técnica. O vencedor? O próprio Fabian, enfiando 18s num dia onde até então a briga era por um, dois segundos... e o incrível é que em todas as parciais intermediárias (nas subidas) ele não aparecia entre os primeiros – fazer o que? Ele foi campeão olímpico com a mesma estratégia – será que funciona?

Pra dominar um CRI completamente ainda existe o fato de conseguir gerar toda essa potência numa posição aerodinâmica e numa bike com geometria diferente, mas isso é assunto que dá um outro “livro”

PACE(iência) - 1a parte

Depois da aventura da prova de perseguição em pista, perdi algum tempo analisando minha performance. O homem dos números me mandou a cronometragem das voltas (ok, elas foram no manual e contavam com uma margem de erro mas serviram o propósito) e, baseado nestes tempos descobri que mesmo tendo dado meu máximo naquele dia posso ter deixado algo a desejar no quesito “Pace”...

Pois é, pace numa prova que dura algo em torno de 5 minutos?!?! Eu devo estar ficando meio neurótico, qualquer atleta de endurance vai falar que é só respirar fundo, baixar a cabeça e fazer força do começo ao fim. Pra que “pace”?

Pois é... antes da prova eu também pensava assim, afinal de contas, quanto estrago um esforço extra poderia fazer em 4km? Bom, dei uma pesquisada na internet e me deparei com 2 coisas muito interessantes, a primeira é realmente de chorar – o recorde mundial de perseguição batido pelo super Chris Boardman (ele mesmo, o Sr. Recorde da Hora) no you tube: http://www.youtube.com/watch?v=NiM94C0nGW0&NR=1 - Assistindo esse vídeo deu pra perceber claramente como uma estratégia correta pode ser a sua glória ou a sua derrota, neste caso consegui enxergar os dois lados da moeda, Mr. Boardman fazendo uma prova progressiva e conseguindo a vitória e o recorde mundial e o super Collinelli saindo muito quente e quebrando no final.

Bom, então existe a possibilidade de se dar mal numa prova de 5 minutos (mais para 4 no caso deles) por causa de um erro de estratégia, um erro de pacing? Então o Google me ajudou a achar um artigo incrível sobre como dosar as energias numa prova de perseguição individual: http://alex-cycle.blogspot.com/2006/11/in-pursuit-of-perfect-pacing.html - pra quem domina o Inglês esse blog é excelente, mantido por um atleta australiano de alto nível que há pouco mais de dois anos teve uma perna amputada num acidente, e desde então mostra sua luta pra retornar às competições, agora como para-olímpico.

Agora o grande problema é o seguinte: se é possível estragar uma prova tão curta quanto uma perseguição individual imagina o que pode acontecer com provas de 2, 4, 6, ou até mesmo 10h?

Em provas de contra relógio, longas como 40k ou mesmo nas curtas de 4k, a prioridade é controlar o esforço no começo. Por experiência, numa prova que dura em torno de uma hora, a parte critica são os primeiros 5-10min (assumindo que você tenha feito um bom aquecimento), nas de 4k minha experiência ainda é quase nula, mas parece que o 1o kilômetro é a chave. Passado esse período é muito difícil estragar a prova por causa de erro de pacing, mas isso porque o atleta está “operando” no limite da capacidade máxima para o esforço – Geralmente na potencia máxima para o tempo de duração, portanto passada aquela sensação de pernas “novas” fica difícil extrapolar uma vez que já estamos no limite.

O grande problema se dá em provas ou treinos em que estamos trabalhando com frações de nossa potencia máxima sustentável, o que se encaixa perfeitamente no caso das provas de triathlon, sejam elas de curta, media ou longa duração uma vez que o ciclismo é só uma parte da prova, que te leva de uma modalidade à outra, e termina bem antes da prova acabar, portanto, achar que você está dando TUDO no pedal de uma prova de triathlon é um enorme engano, a não ser que você seja membro de um time de revezamento.

Este final de semana que passou, corri o Long Distance de Ubatuba, e pude aplicar uma estratégia de pace no pedal que acabou, na minha opinião, sendo algo próximo do perfeito.

Nas próximas entradas no blog pretendo escrever mais sobre estratégias e erros de pacing de Contra-Relógio.

Ah, a prova ontem foi DURÍSSIMA, mas tive um "bom" dia J

Nadando com os Tubarões



No último final de semana tive uma experiência única e grande demais para guardar comigo. Como há muito tempo eu quero ter um blog, nada melhor que aproveitar essa oportunidade pra tentar passar um pouco do que foi a minha participação no Campeonato Interestadual de Pista em Americana. Quem esteve lá, sofreu e vibrou junto comigo sabe que isso é só a ponta do Iceberg...

A prova de perseguição individual em pista, pra quem não sabe é uma prova que consiste em um "longo" CRI de 4km e que na história do ciclismo foi fundamental para o desenvolvimento da modalidade. Muito das posições, bikes, capacetes, rodas e etc.. nasceram graças à esta prova. E quem conhece um pouco da história do ciclismo sabe que legados foram criados nas pistas da europa em batalhas travadas por Britânicos, Franceses e Italianos. Bom, tem muito mais por tráz disso, mas somente este fato ja bastava pra colocar dentro de mim aquela vontade insuportável de um dia participar de um evento desses.

Há pouco mais de um mês atrás apareceu a oportunidade de fazer essa prova durante o Interestadual de Pista que aconteceu no velódromo de Americana neste último final de semana. Quatro semanas antes do evento eu decidi que iria fazer a prova e "programei" uns 6 treinos pra me preparar. Infelizmente desses 6 treinos eu consegui fazer 3, mas muito bem feitos, sendo que um deles memorável no velódromo de Americana naquela que foi a manhã mais fria do ano!!!!

Se eu estava preparado??? Falar que não é desdenhar da prova e dos outros competidore... Eu tô sempre preparado pra qualquer coisa em cima de uma bike de CRI e ao mesmo tempo nunca me sinto preparado o suficiente. Na verdade, nunca estive tão bem no pedal como nos últimos meses, protanto era mais uma questão de fazer ajustes finos de performance e estudar sobre o assunto, pois pode parecer que não, mas o fato de você ter que aparece para uma prova com uma bike sem freio, sem grupo e com uma relação de transmissão fixa é uma baita dor de cabeça. Mas infelizmente devido a fatores fora do meu controle não pude me dedicar tanto a preparação técnica para a prova.

A prova em si consiste em 2 etapas, a primeira aconteceu no sábado a tarde e envolve a tomada de tempo de todos os atletas inscritos. Os atletas largam 2 a 2, um de cada lado da pista e dão as 12 voltas (no caso do velódromo de Americana) no melhor tempo possível, não interessa se vc passa o outro ou se é passado por ele, o que vale é o tempo que você está fazendo, e somente os 4 melhores se classificam para as finas no dia seguinte - 1o e 2o tempos disputam ouro e 3o e 4o disputam bronze, aí, tudo o que o atleta tem que fazer é ganhar do outro - pode ser fazendo um tempo menor ou "perseguindo" e alcançando o outro (e nesse caso a prova acaba aí) por isso normalmente os melhores tempos se dão na 1a etapa, pois não dá pra "guardar" nada para depois.

Mesmo com a largada marcada pro sábado a tarde, tive que chegar no velódromo antes das 8 da manhã pra poder fazer a inscrição e ver se estava tudo ok com a bike pra competir (existem um monte de "poréns" pra uma bike de perseguição, medidas e padrões que foram endurecidas graças às invenções de um certo "escocês voador")

Chegar cedo na minha cabeça ia ser bom, pois eu tinha muitas duvidas pra tirar antes da largada e queira aproveitar para assistir às provas de velocidade que aconteceram no período da manhã.

Estava tudo conforme o planejado até que resolvi fazer umas perguntas sobre relação de transmissão para uns ciclistas mais experientes - Nunca se esqueçam disso: Ignorância é uma benção! Devia ter ficado na minha parcial ignorância e economizado energia emocional, que só foi sendo drenada cada vez mais a partir deste fato - Na minha humilde inexperiência eu achava que estava com uma relação muito leve, fiz alguns treinos e testes (não muitos pra falar a verdade) e achei que mesmo usando a relação mais pesada que eu tinha (52x14) estava com uma marcha muito leve e não ia conseguir atingir velocidades altas por que não estava confortável girando acima de 110RPM. Pra que? me chamaram de tudo que era nome, pois pra eles minha relação era absurdamente pesada, e segundo um ciclista muito experiente (participou de copa do mundo, jogos panamericando e ex-campeão brasileiro na modalidade) eu ia morrer antes do 1o KM - CARAMBA, tô na lama... mesmo tendo treinado e feito tiros com essa relação, alguma coisa ia acontecer e eu ia me dar mal somente porque eles disseram!!!

Bateu um baita bode, fiquei pensando na galera que tava indo pra la torcer por mim, iam me ver dar vexame. Comecei a duvidar do que eu tinha feito e duvidar da minha capacidade de girar aquele pedivela!!!! Fui pro carro, ficar um pouco quieto com minhas dúvidas. Peguei meu celular e li um torpedo que eu recebi durante a semana com uma mensagem muito positiva me desejando boa prova - "acredito muito em você", dizia a mesagem - Eu também voltei a acreditar em mim, recuperei minha confiança e resolvi não dar mais chance pro azar. Deixei a bike de perseguição guardada no carro atá a última hora pra ninguém ficar "cornetando" minha relação.

Lá pelo meio dia e meio montei Kuota com o Rolo na área de aquecimento perto de uma galera que eu sabia que não ia "drenar" minhas forças. Comecei a mexer o esqueleto, mas a prova que estava programada pra começar as 13h, àquela altura ia passar pra depois das 14... 

Pouco depois de montar minha parafernália e de começar a mexer o esqueleto, a inestimável Galera RM apareceu. Aí o ambiente ficou bem mais leve e descontraído e comecei a relaxar um pouco.

Objetivos e metas: Honestamente, pelo que eu havia feito em treinos eu achava que num dia bom, com tudo dando certo eu fecharia na casa dos 5min20" os 4k. Se tudo desse MUITO certo e o vento sopresse à meu favor, 5min15" era o céu. Mas depois de toda aquela aula que eu tive de imbecilidade ciclistica eu estava começando a achar que ia ter que me contentar com uns 5min30" e dar adeus as minhas esperanças de ir para uma final - O que já era difícil mesmo antes, pois os grandes nomes e equipes estavam por lá.

Lá pela uma e meia da tarde eu coloquei a Litespeed pra rodar na pista, girei um pouco, leve e depois comecei a dar umas voltas ritimadas, confortável mas fazendo força... Tirei algumas parciais de voltas e estava passando cada volta de 333m p/ 27", o que daria o km p/ 1'21" e os 4km p/ 5'24" (mais ou menos isso) tudo  bem que eu não estava partindo parado, mas estava colocando uma fração da força que eu pretendia fazer na prova. As pernas estavam MUITO boas, e todo o treino da semana não parecia ter tirado nada. Eu estava me sentindo 100%.

Parei e fui conferir a ordem de largada - a hora que eu fiz minha inscrição a única coisa que eu pedi foi pra não estar na 1a bateria, pois como nunca havia participado de uma prova dessas, gostaria de ver como os outros atletas se comportavam e queria tirar um pouco do nervosismo. Em vão.. estava lá, LODD e um cara de Presidente Prudente na 1a bateria. Puts!!!!

Ainda deu tempo de chegar no cara dos números, o Luiz "Malky" Eng e pedir pra ele me cronometrar. Eu não queria sair rasgando e morrer antes da metade da prova (isso já tinha acontecido em treino num tiro de 3km) portanto pedi pro meu brother gritar se eu passasse qualquer uma das 4 primeiras voltas abaixo de 27segundos. E fui alinhar na largada.

Bom, além de estar na primeira bateria, o simpático atleta de Presidente Prudente não deu as caras na largada. Estava lá, eu sozinho e do lado oposto ao da torcida RM... Nervoso???? não da pra descrever o nível de nervosismo que passava por mim, tanto que a comissária mesmo depois de eu ter dado ok falou pra eu soltar o guidão e relaxar um pouco antes da largada. Respirei fundo, lembrei do "acredito muito em você" e falei pra comissária "Tô pronto. Nasci pronto!" 3, 2, 1 ...

Parti.

Meu medo de cair na largada por causa da minha relação estúpidamente pesada não se confirmou, consegui dar o primeiro giro dos mais de 500 daquela prova e respirei aliviado por estar me movendo (e não no solo). Acelerei em pé na bike até metade da curva, sentei, clipei e comecei fazer força. Lembra do lance de ter pedido pro Eng gritar se eu estivesse muito forte? esquece, depois de duas voltas meu o ouvido ouvia um apito leve que só era quebrado pela gritaria da "TORCIDA RM" e a visão ficou meio de túnel, perdi a visão periféica e tudo que eu via com clareza eram as duas faixas do velódromo que eu tinha que me manter, o resto era meio escuro e borrado - impossível de descrever.

Depois da marca de 2km, eu estava no limite, e a única coisa que me motivava a continuar forçando era o fato de saber que em mais alguns segundos ia passar pela "minha" torcida de novo e ganhar mais um empurrão!

Fui indo, uma volta atrás da outra e as plaquinhas iam descendo mas eu nunca sabia se o que elas marcavam era o que faltava ou ia faltar a partir dessa volta, não interessava, eu ia continuar naquele esforço até ouvir  sino ou até cair duro!

Derrepente o som maravilhoso do sino, era a última volta. Dei tudo que tinha pra fechar aquela última volta e pronto... acabou!

Ainda dei quase duas voltas até voltar distinguir os sons, e a 1a coisa que escutei foi: "Luis Otavio Duarte, avulso, cinco minutos, dez segundos e..." Caramba!!! não acreditava! imediatamente passei cumprimentando minha torcida e fui pra baia soltar.

A hora que cheguei lá o pessoal da equipe de Americana, Ribeirão e São Caetano estavam vibrando com o tempo.

Bateria após bateira os tempos vinham tudo acima de 5min20s. Comecei a ficar confiante e achar que ia dar, que tinha realmente feito uma grande prova...

Bom, o Piá (campeão Brasileiro de perseguição) estava lá e com certeza ia fazer tempo melhor que o meu. O Bobão, e o Wolverine (atletas que já disputaram mundial, panamericano e ja foram campeões) também iam arrebentar meu tempo, mas ainda sobrava a esperança de ir pra final com um 4o lugar!

Mais de uma dezena de atletas tomaram tempo e o tal do "Luis Otavio, avulso" ainda estava em primeiro. Até que o Tiago Nardim da equipe Sundown São Caetano, que não estava na minha lista apareceu e fez 5min6s. Na minha cabeça já era, mas a galera ainda torceu contra um montão...

Apareceu o Wolverine e fez 5min6s também.

E na última bateria uma prova emocionante entre o Bobão e o Piá deu 5min2s pro Piá e "incríveis" 4min55s pro Bobão (é, de bobão ele não tem nada)

29 atletas se inscreveram, acho que 26 largaram, e o triatleta imbecil que foi com uma relação monstruosa ficou em 5o, a 4 segundos de uma final!!!!!!!!!!!!

Tempo oficial: 5min10s858. Pouco mais de 4s e meio kilômetro por hora abaixo do tempo que me levaria para uma disputa de medalha. Tô de alma lavada!

Infelizmente o Patrick (meu mais novo) estava meio doente e a galera de casa não pode ir, mas queria mais uma vez agradecer a Torcida RM que esteve lá em peso e fez a barulheira de sempre: Alê, Ferra, Tá, Jú, Aline, Shoraya, Rodolfo, William, Fred (que me emprestou uma roda disco com rosca para usar no dia), Téo, Alessandra Eng e finalmente o "Malky" do Vinhedense voador
Luiz Eng que ajudou pra caramba mas provavelmente vai ser banido das próximas provas de ciclismo de pista :-)

O entusiasmo bate forte depois de um dia assim, e eu fico me perguntando "e se" - e se eu treinasse pra isso? e se eu tivesse começado mais cedo? e se eu nunca tivesse fumado, bebido, pesado 130kg??? (in)Felizmente essas coisas nunca vamos saber.

Setembro tem mais e em Novembro tem o Brasileiro no velódromo do Pan. Se eu vou fazer??? Bom, por enquanto volto a ser o triatleta de sempre porque, afinal de contas, Ubatuba já ta aí!

Bjs