Potência 301

Zonas de Intensidade e Treinamento

Passada toda aquela coisa com equipamento, porquês, siglas, termos técnicos e etc.. O que mais interessa é: Como usar esse bichinho (que custou uma fortuna) para melhorar?

Conheço alguns atletas que têm medidores de potência, mas poucos que realmente usam. Você pode comprar um e passar o resto da sua vida atlética assistindo números “pipocarem” na sua frente e falando para os outros que fez isso ou aquilo de potência, ou pode aprender a fazer esses números aumentarem.

Para efeitos de treinamento de ciclismo, 6 zonas de intensidade são derivadas a partir do FT de um atleta (* por isso a importância de monitorar esse número com uma certa freqüência e alterar as intensidades conforme necessário). São elas

Leve / Recuperação: abaixo de 55% do FT

Endurance: 56% à 75% do FT

Endurance Intensiva (ou Tempo): 76% à 90% do FT

Limiar (FT): 91% à 105% do FT

VO2: 106% à 120% do FT

Capacidade Anaeróbia / Explosão: acima de 120% do FT

Leve / Recuperação: Como o próprio nome sugere, serve primariamente para aquecimento, soltura ou intervalos entre tiros. Treinos regenerativos também deveriam ser feitos nessa intensidade, mas a natureza de um treino “regenerativo” é tal que se um atleta precisar de algo para guiá-lo é porque está fazendo errado. Ciclistas de ultra-distância, pela natureza do treinamento podem se beneficiar de treinos INSANAMENTE longos nesta intensidade.

Endurance: Treinos longos devem ser realizados nessa intensidade para aumento de limiar Aeróbio. Nesta intensidade devem ser realizados os treinos de base, ou de volume específico – dependendo da prova alvo. Não é necessário, nem mesmo desejável que 100% do tempo de um treino de base/endurance seja realizado dentro da faixa, mas grande parte dele deve ser feito nessa “zona” evitando grandes períodos de tempo nas zonas de Limiar e VO2. Um treino de base bem realizado é aquele em que a potência não oscila muito e a media da potência acaba ficando entre 60-65% do FT. Dependendo do atleta variam de 2 à 6 horas de duração, e ainda podem ter trechos específicos dirigidos à limiar ou VO2 dependendo da fase do programa de treinamento.

Endurance Intensiva: Muito conhecida como TEMPO (do inglês). Durante muito tempo foi chamada de “Gray zone” ou zona cinza, devido aos riscos envolvidos em se passar muito tempo em tais intensidades, uma vez que não é leve o suficiente para treinos longos de base, nem forte o suficiente para tiros visando aumento de limiar. Treinos nesta faixa de intensidade, também trabalham o limiar aeróbio, mas em muita quantidade podem levar ao comprometimento do programa de treinamento. O grande problema para nós triatletas é que cai bem na intensidade de 1/2IM para a maioria. Podendo ser intensidade de olímpico para atletas menos experientes e chegar a intensidade de IM para os profissionais e übberbikers de plantão. Exemplo de treino seria um treino de 2h30min com 90min na intensidade, a hora restante seria dividida entre aquecimento e soltura; pode-se também colocar séries de 20-30 minutos em trechos de treinos longos específicos.

Limiar ou FT: Esse é na minha opinião a alma dos treinos de CRI / Triathlon, se eu tivesse somente um dia da semana pra pedalar, com certeza seria pra treinar nesta intensidade. São os famosos treinos de tiros, feitos para aumentar o Limiar Anaeróbio e a potência específica em contra-relógio. São tiros que podem variar de 8-20min com intervalos suficientes para tomar uma água, respirar fundo, concentrar e partir para o próximo. Totalizando não mais que 40-45min de trabalho, por exemplo: 3x12min c/ 3min descanso ou (meu preferido) 2x20min c/ 5min descanso. Importante de treinos nesta faixa de intensidade é lembrar que não precisa “quebrar recorde” a cada treino, se os tiros forem realizados à 92% do FT tem o mesmo efeito que se realizados à 104%. Portanto, é um treino duro com certeza, mas nada de INSUPORTÁVEL.

VO2: falando em insuportável... Infelizmente essa é a zona da DOR. São treinos que visam o aumento da potência de VO2 de um atleta e indiretamente o aumento do VO2 (não é direto uma vez que eficiência mecânica acaba entrando na equação também). Devem ser realizados com muita cautela e não se prolongarem muito na periodização, pra mim de 4-6 semanas de treinos específicos de VO2 são suficientes para se atingir um pico. São séries de treinos que quanto mais “curtas e grossas” melhor. O tempo total de “trabalho” gira em torno de 20min com um máximo de 25min, e os períodos de recuperação são de 1:1 (trabalho x descanso), exemplo de séries de VO2: 6x3min (3min), 5x4min (4min) e o meu preferido 5x5min (5min).

Capacidade Anaeróbia: Honestamente a não ser que você seja um especialista em quilômetro contra relógio em pista ou esteja treinando para alguma prova em que picos de potência altíssimos de curta duração (não sprint) sejam necessários eu sugiro não mexer muito com isso. São séries curtas de 1-2min de MUITA potência com recuperação completa. Usei algumas vezes para “polimento” pra provas de perseguição, algo do tipo 8x2min com 5min de recuperação. Neste caso específico não adianta querer dosar potência, dói demais pra alguém conseguir reparar em números. O que é feito normalmente é estipular uma media para o tiro e parar caso não consiga atingir tal media em 2 tiros seguidos. O problema com esse tipo de treino é que compromete demais o andamento dos outros treinos na semana, portanto “se” necessário, procure fazer em um dia que seja seguido de um ou dois dias leves.

Como usar toda essa informação acima e distribuir pelos ciclos de treinamento, honestamente eu não sou qualificado para discutir. Algumas dicas que eu aprendi na “marra”, no entanto podem poupar alguns “dissabores” pelo caminho J.

Cuidados nas distribuições de intensidade: O maior erro em qualquer programa de treinamento é o de passar muito tempo treinando em intensidades intermediárias. Um programa bem elaborado usa um pouco de tudo, o importante é prestar atenção e fazer das partes “leves”, suficientemente leves para que os trechos duros sejam realmente DUROS. O maior erro que eu já cometi foi o de querer treinar “uma marcha acima” o tempo todo. Não há melhora nisso.

Excesso de treinos leves: Na verdade, são raras as vezes que eu subo na bike pra “girar” sem um objetivo específico. Simplesmente eu não tenho tempo pra isso. Treino ciclismo 3 vezes por semana e uma media de 6h na semana. Isso não me dá espaço pra ficar “passeando” de bicicleta por aí. Salvo os treinos de véspera de prova ou pós prova, cada dia em cima da bike tem um propósito específico. Quanto àquele treininho “extra”, só pra girar e fazer “volume”, eu passo. Ganho muito mais em ficar dormindo, trabalhando ou com a família. No começo de temporada eles existem com uma certa freqüência, mas são utilizados para corrigir técnica, arrumar posicionamento e se adaptar à novos equipamentos.

Subestimar as intensidades: Eu falo isso várias vezes porque esse é um erro grave – Os ganhos dos treinos com potência, vêm em se treinar nas intensidades corretas, não é treinando mais forte e querendo “bater recorde” todo treino que se melhora. Treina-se nas zonas estipuladas, pelos tempos estipulados... uns dias parecem fáceis e outros difíceis, mas é se mantendo no “programa” que a mágica vai acontecendo, e pra saber se está ou não funcionando é que existem os testes e obviamente as competições J.

Falta de monitoramento do FT: é incrível, mas tem gente que tem medo de se testar e ver como andam as coisas. O FT é um número que varia com uma certa freqüência, e vai respondendo ao treinamento. Não, ele não sobre sempre, e infelizmente ele varia pra baixo mais do que gostaríamos. E por isso monitorar pelo menos a cada 6 semanas é o ideal. Para garantir a fidedignidade dos números, cruze as informações dos treinos com a dos testes. É monitorando esse numerinho que conseguimos dosar a carga correta de treino para continuar melhorando sempre.

Falta de auto-conhecimento: não é porque sua planilha manda fazer 4 tiros de 10min a 300w que isso deva ser realizado de qualquer maneira. Não somos máquinas, e como minha coach costuma dizer, o papel aceita qualquer coisa e não leva em consideração fatores externos. A dica aqui é se conhecer, as vezes diminuir os tempos mas manter a intensidade produz o efeito, outras manter os tempos em intensidades menores... e em alguns casos, carregar o carro e ir embora pra casa é a melhor opção (por mais duro que isso possa parecer e eu sei porque já tive minha cota de “abortos”).

Bom, tentei resumir bastante nesses últimos 3 posts as informações básicas para iniciar no treino com potência. Tem MUITO mais coisa, e talvez um dia desses saia um “apêndice”.

Bons treinos!

Potência 201


Conceitos, Siglas e seus significados

Assim que eu instalei meu Power-tap e comecei a querer “entender” do assunto, me deparei com um monte de nomes e siglas. Uns eu já tinha ouvido falar enquanto outros não faziam o menor sentido, mas depois vim descobrir que eram muito importantes.

FT – Esse é com certeza para nós triatletas e contra-relogistas o marcador mais importante de potência, aquele que devemos treinar e nos empenhar para fazer que ele aumente. Do inglês “Functional Threshold” quer dizer algo como “limiar funcional”, nada mais é que uma maneira indireta e bem aproximada de acessarmos os limiares de lactato, anaeróbio, OBLA... Uma vez que esses marcadores citados somente conseguem ser definidos com precisão através de testes caros e muitas vezes invasivos (testes de rampa, progressão à exaustão e outros do tipo), o FT consegue ser estimado através de testes de campo ou análise de distribuição de potência (desde que em quantidade suficiente).

Por definição, o FT de um atleta é o maior esforço “bem dosado” que ele consegue realizar pelo período de aproximadamente uma hora, descansado, alimentado e hidratado. Em miúdos, um contra- relógio de aproximadamente uma hora após um ou dois dias de descanso. O Ideal seria que conseguíssemos participar de um CRI de 40km uma vez a cada 6 semanas pelo menos, assim teríamos como medir o FT com uma constância. Mas dada a natureza precária do esporte aqui no nosso país, conseguir isso uma vez por ano já é bastante difícil L.

Por isso eu costumo usar testes de 20 minutos em conjunto com a analise da distribuição de potência do último mês.

Teste de 20min: O ideal era fazer 60 minutos, mas vamos convir que acordar de manhã, achar uma estrada tranqüila o suficiente e, pior de tudo, encontrar motivação pra fazer um contra relógio de 40km sem a “pilha” da competição, só pra medirmos nossa própria performance é MUITO DIFÍCIL. Por isso o teste de 20 minutos.

Normalmente eu faço o teste uma vez a cada dois meses (no começo eu fazia com mais freqüência, mas alguma vantagem eu tenho que levar por ter passado anos olhando e estudando esses numerinhos J). O teste é feito numa semana normal de treinos, pois não requer (e nem é desejável) descanso prévio. Eu simplesmente troco por um treino de tiro ou CRI. Procuro usar sempre o mesmo local e protocolo de aquecimento (uns 30 minutos), depois dou uma paulada de 5 minutos (só pra tirar qualquer excesso de energia acumulada), rodo leve por 10 minutos e parto pra briga: 20 minutos, começando forte mas dosado durante os primeiros 3-4 minutos, depois entrando na zona de “DOR” até os 5 minutos finais onde eu gasto todo o “cheque especial” J

É difícil de fazer bem feito de primeira (até mesmo de 2a, 3a...) Leva um tempo para conseguir dosar e matar o teste a pau. Normalmente o que acontece é usarmos o padrão dos treinos feitos baseado em FC, começamos muito fortes e quebramos no final. Lógico... é usar um pace correto para um CRI já é difícil quando se treina pra ele, imagina nas primeiras vezes!?!?!

Bom, daí eu pego a potência media desses 20 minutos, tiro 5% e uso como meu FT. E a partir daí desdobro minhas zonas de intensidade para treinos de CRI, VO2, Endurance, etc..

Análise da distribuição de potência: Utilizando um programa de analise de dados de potência, e considerando que no período escolhido tenha um pouco de tudo (treinos solo, em grupo, tiros, subidas, etc..). Faz-se um gráfico (de barras é melhor) da distribuição de potência a cada 10-15w do período, o FT vai se encontrar onde existe a maior queda nas barras (veja exemplo abaixo) pelo simples fato de que é muito mais difícil passar muito tempo acima do limiar.

Uma ressalva deve ser feita para atletas de longa endurance, que não passam tempo suficiente em altas intensidades.

Potência Normalizada (Pnorm) – Eu honestamente já tentei explicar esse conceito algumas dezenas de vezes, mas nunca me achei bem sucedido... vamos ver se desta vez vai J

A potência que te move pra frente, e garante a velocidade de uma prova, treino, tiro ou passeio é a potência media que é calculada pela media gerada entre os altos e baixos durante o tempo de pedal. Mas alguma coisa parecia muito errada quando eu saia pra andar com um grupo de ciclistas, ou participava das famigeradas provas de circuito, onde a natureza do pedal era a de picos de potência nas subidas ou saídas de curvas e depois aquele “passeio” típico de pelotão. As medias de potência nunca eram nada absurdo, mas eu terminava o treino completamente ESTRAGADO. A referencia que eu gosto de usar é a de um treino de corrida fartlek na esteira (pra ser mais constante). Se eu coloco, sei lá... 12kph na esteira e corro por uma hora eu termino o treino cansadinho mas OK depois de 12km. Agora se mudar o treino e fizer 400m à 11kph com 100m a 16kph eu vou cobrir os mesmos 12km em uma hora mas vou ficar muito mais cansado... porque????

Aí, um americano muito mais maluco e apaixonado do que eu (sem contar, infinitamente mais inteligente), que hoje é um dos papas do treinamento com potência e referencia criou um modelo matemático que calcula o custo fisiológico dessas variações, que no ciclismo existem até mesmo em provas em velódromo.

O Dr. Andrew Coggan através dos seus estudos desenvolveu o conceito de potência normalizada. Enquanto a potência media estipula o quanto você andou num treino ou prova, a potência normalizada estipula o quanto esse treino ou prova drenou de você. E lógico que a partir disso o grande objetivo para nós contra-relogistas e triatletas era fazer com que um ficasse o mais próximo do outro o possível, andando o máximo com o menor “custo”... Aí apareceu outra sigla.

VI – Variability Índex (ou índice de variabilidade). Que nada mais faz do que medir a diferença entre os dois mundos, dividindo a potência normalizada pela potência media.

E pra que isso me serve? É simples, o melhor contra-relogista vai ser sempre aquele que se desgasta menos no processo, por isso essa análise acaba virando um ponto de referencia quando queremos melhorar nossos tempos, quanto mais próximo à 1 esse valor ficar melhor foi o trabalho de equalizar as coisas.

Além desses acima ainda surgiram outras duas siglas:

IF – Intensity Factor (ou Fator de Intensidade)

Nada mais é que um número que indica o percentual referente ao teu FT. Assuma que tua potência no FT é de 100% ou 1 para criar um índice, variam-se dele as potências de VO2 (geralmente acima de 1,05) as de intensidade de prova, como 0,84 para ½ IM, 0,75 para IM, 0,95 para olímpico e por aí vai.

Esse índice foi criado para calcular o acúmulo de stress que um treino ou prova causa no atleta, o TSS

TSS – Training Stress Score

Assume-se que 100 pontos de TSS equivalem a 1 hora na intensidade de 100% do teu FT, e a partir daí obtemos uma pontuação de acúmulo de treinos pra qualquer pedal, seja ele fraco, forte, longo, curto...

É uma medida excelente de se monitorar e uma ferramenta bastante útil desde que você seja só ciclista, controlar isso no universo do treinamento de triathlon é, no mínimo complicado, uma vez que ainda temos que lidar com o acúmulo de outras duas modalidades esportivas. O programa WKO+ (referido no último post) faz um trabalho excelente de calcular o acúmulo de treinos e mostrar quando estamos cansados, descansados, polidos ou destreinados.


Potência 101

Conforme prometido, antecipado e (talvez) aguardado. Seguem algumas idéias sobre treino com potência. Com certeza tenho muito pra escrever e isso não vai caber numa só postagem, e mesmo assim não vou conseguir cobrir tudo sobre o assunto, apenas as partes que eu considero importantes.

Recomendo ler também o post "Potência, torque, velocidade... Força!"

Sobre o medidor de potência.

Pra quem quiser se aprofundar nos modelos, o Max da Kona Bikes colocou um post no blog dele ha um tempo atrás que cobre muito bem os modelos oferecidos no mercado (inclusive os que ainda nem são oferecidos), e alguns acréscimos nos comentários (clique para ler).

Alguns fatores devem ser levados em consideração antes da compra:

- Confiabilidade

- Facilidade / Necessidade de manutenção

- Instalação

- Precisão

Eu treino desde 2003 com o modelo fabricado pela CycleOps (o PowerTap) e em 2005 adquiri novos modelos do mesmo, o que quer dizer que mesmo depois de dois anos eu continuava MUITO feliz com o produto. Na época eram os melhores na relação custo x benefício. Somente os SRM faziam frente em termos de confiabilidade e precisão, mas pecavam nos quesitos manutenção e instalação. E, pra mim a grande diferença vinha do fato de o Power-Tap poder ser usado em diferentes bikes simplesmente trocando-se a roda traseira. A grande desvantagem do sistema passava a ser exatamente essa, a de ter que casar uma roda com o sistema, limitando assim o uso de rodas diferentes pra competição e treinos.


Porque Potência?

Durante alguns anos eu treinei usando freqüência cardíaca, cadência e até mesmo velocidade como referencia, mas foi com o feedback de um powermeter que eu comecei realmente a dosar os estímulos desejados em todos os treinos e evoluir; independente das condições climáticas, acúmulo de cansaço, e outros fatores que eu já vinha percebendo que influenciavam nas outras maneiras de “medida de intensidade”.

Pra mim parecia muito complicado o fato de minha freqüência cardíaca responder de bate pronto num dia em que eu me encontrava descansado e simplesmente estagnar no final de um treino longo independente da força que eu fizesse. Ou o fato de ela disparar num dia de calor mesmo passeando...

O fato é que medidas de freqüência cardíaca nos retornavam um número relativo ao “stress cardiovascular” que pode ser alterado por diversos fatores, e não o que realmente interessava que era o “stress físico ou muscular”. Uma maneira simples de se enxergar isso é pedir pra um sprintista dar 5 tiros de 20s a 90% no final de um treino longo, sem um medidor de potência ele só consegue medir isso subjetivamente uma vez que a FC demora muito mais que isso pra responder.

O treino se tornava muito mais efetivo com um medidor de potência, e muitas vezes, horas eram abreviadas dos treinos para se conseguir um mesmo estímulo. Sem querer entrar muito nos detalhes, uma série padrão de treino de limiar baseado em FC pede algo como: 3x15min com 10min de intervalo na zona 4, enquanto que baseando-se em potência o mesmo estímulo pode ser obtido com 3x12min com 3min de intervalo a 95% do limiar. Porque? Bom, quanto mais condicionado um atleta, mais lenta é a resposta cardiovascular a um estímulo, por isso pra atingir as zonas de FC mais rapidamente, a gente sempre acaba começando mais forte e depois diminuindo pra estabilizar, chegando a trabalhar até 3 faixas de potência distintas e exigindo assim maior tempo de recuperação entre os esforços, e fazendo também com que a adaptação ao estímulo fosse mais lenta. Com o feedback de um medidor de potência isso não acontece. Um exemplo que era gritante aos meus olhos era num treino de CR que eu fazia que levava media de 15min cada tiro, eu só conseguia atingir a zona de FC depois de mais de 9min no tiro, enquanto a potência já estava dentro do estipulado desde o 2o ou 3o minuto.

O treino com um medidor de potência também ajuda a evitar o padrão terrível de “quebrada” nos tiros. É sabido que é muito melhor estímulo terminar um tiro mais forte do que começamos. Consegue-se fazer isso na piscina e na pista de atletismo, mas no ciclismo existe a falsa impressão de que isso é realizado através de velocidades ou de aumento da FC.

Outro fator que não é levado em consideração com os métodos tradicionais são os picos de potência de poucos segundos, que não alteram nem FC nem velocidade mas acabam contribuindo para o “stress” final do treino.

Ferramentas de Análise

Talvez tão importante quanto um medidor de potência é ter uma boa ferramenta de análise – “Potência não é nada sem controle”

Àqueles que se aventuraram com um medidor de potência na bike já devem ter reparado a “loucura” que parece olhar praqueles números. Eles raramente estabilizam no visor por causa da natureza estocástica das forças que agem no ciclismo, vento, relevo, vácuo, atrito, etc.. Por isso a maioria dos medidores de potência vem com algum recurso de “suavização” do indicador de wattagem. Visto que a maioria dos medidores de potência (pelo menos os que se prezam) computam variação de potência pelo menos a cada segundo, da pra imaginar o quanto os números variam.

Como os treinos são realizados em ruas e estradas, não é seguro (nem recomendável) ficar encarando o aparelhinho – ainda lembro ter achado estranho o manual do meu 1o Power-Tap ter escrito em letras garrafais algo do tipo: “CUIDADO: EVITE FICAR OLHANDO PARA O MEDIDOR, PARA SUA SEGURANÇA PRESTE ATENÇÃO NA ESTRADA” Eu mesmo passei por alguns sustos nesse quesito J.

Por isso, a melhor maneira de se educar nos treinos é tendo uma boa ferramenta de análise e aprendizado pós treino, onde podemos verificar gastos desnecessários de potência, como dosamos o esforço durante os tiros ou as subidas.

Praticamente todo medidor no mercado acompanha um software onde os dados são descarregados pós treinos, mas somente UM consegue nos fornecer uma análise precisa sobre os treinos, os estímulos e os progressos (ou não), que infelizmente não acompanha nenhum dos medidores: TrainingPeaks WKO+

Acredito que pelo menos mais uns 3 posts complementarão este, mas para aqueles que querem ir fundo no assunto recomendo o livro “Training and Racing with a Powermeter” publicado pelos maiores cérebros de treinamento com potência que eu tenho conhecimento: Hunter Allen e Andrew Coggan.

Ah... como toda evolução, essa também requer muita dedicação do atleta não só suando, pois estudo e compreensão dos “porquês” são parte do processo (e na minha opinião a melhor parte J)

LODD

Memórias... Muito mais que um número


Durante a vida de todo atleta, com certeza alguns treinos ficam gravados. Uns por simplesmente terem sido completados, como o primeiro 180km, a primeira subida da serra de Campos e por aí vai. Outros pela dureza, como o treino Vinhedo – Poços de Caldas ou o treino com a equipe de Ribeirão em Cristais. E outros ainda pelos momentos mágicos e excelentes companhias, como a subida da serra de Taubaté ou a viagem Pinhal – Campos – Aparecida.

Mas se você for uma pessoa de sorte, tudo isso acontece em um treino só e aí esse dia entra para a lista de dias memoráveis, não só no esporte mas na nossa vida em geral.

Semana passada, após o Long Distance de Caiobá meu amigo e companheiro de equipe Alê Gantus me convidou pra acompanhá-lo num treino de 200km que ele iria fazer em preparação para o IM. Ele vai continuar negando isso, mas no decorrer da conversa, não por meu intermédio, surgiu a idéia de fazer tal treino com um toque extra de crueldade... decidimos terminar o treino subindo a serra de Campos do Jordão, e como idiotice pouca é bobagem, porque não prolongar o sofrimento fazendo a subida indo pelo sul de Minas? (pra quem conhece, entrando para Santo Antônio do Pinhal e fazendo o percurso da copa VO2).

Durante a semana as coisas se ajeitaram, o Marcelinho se ofereceu para fazer a escolta dos dois malucos, entramos no GoogleMaps e vimos que se saíssemos de Atibaia chegaríamos em Campos do Jordão com os aproximados 200km. Pra ser honesto um frio na barriga começou a bater... pelas minhas contas seriam umas 7h de pedal se tudo estivesse a favor (inclusive o vento), e eu tive que revirar meus arquivos de treinos pra lembrar quando foi a última vez que eu tinha passado mais de 6h em cima da bike – Agosto de 2004 foi a data mais próxima, sendo que a ultima vez que eu fiz algo tão insano foi num Sábado em novembro de 2003, um dia antes daquele que seria o dia mais triste da minha vida.

O dia começou cedo, 5h30 da manhã o Ale, e nosso inestimável apoio Marcelinho e Mônica estavam aqui em Vinhedo carregando o carro e prontos pra sair. 6h45 saímos do posto BR na rodovia D. Pedro em Atibaia, onde toda a galera da RM estava se aprontando para o treino longo. Dia maravilhoso, meio friozinho ainda e pegamos a estrada.

Ao passar Nazaré Paulista, no começo da descida da serra de Igaratá uma densa neblina nos pegou e foi assim até o 3o túnel da Carvalho Pinto, aliás... uma coisa impressionante que a gente acabou chamando de “túnel do tempo” pois entramos de um lado com o tempo encoberto por neblina baixa e saírmos do outro lado num céu azul de brigadeiro... IMPRESSIONANTE. E assim fomos, tocando sem problemas até o pé da serra. O visual estava tão lindo que nem o vento chato, contra o tempo todo atrapalhou. O Ale teve dois pneus furados mas com todo o apoio do Marcelinho acabou sendo rápido.

No pé da serra troquei de bike. Coloquei a Kuota no carro e peguei a Madonne, afinal bike de ciclismo pra subir serra é muito mais confortável (se é que existe isso depois de mais de 150km pedalando). Esse é um erro que eu nunca mais pretendo cometer. A troca de grupos musculares foi parcialmente cruel, principalmente com as costas, e durante a 1a subida eu senti a lombar, coisa que raramente me acontece. Estava me sentindo muito bem, e já estávamos perto das 6h de pedal. Acabei abrindo um pouco do Ale na subida, mas parei em Pinhal pra esperar e aproveitei pra comer meu último sanduíche.

Antes de encarar a última subida ainda fizemos uma parada pra tomar uma coca cola (liquido milagroso) e depois eram menos de 20km.

Iniciamos a última subida, meu treino tinha 4km a mais que o do Ale desde o primeiro furo dele que eu tinha aberto um pouco e voltei 2km pra encontrá-lo, e pelas minhas contas ele ia cravar os 200k no topo da serra enquanto eu ia bater “a marca” a 4km do final.

Começou a última subida, e aquela sensação de força que normalmente me acompanha nos treinos de pedal estava se esgotando numa velocidade inacreditável. A coisa com a marca dos 200km, algo que eu jamais pensei que fosse fazer novamente depois de ter perdido meu “irmão” pra esse tipo de insanidade, demorava demais pra chegar... E quanto mais perto, mais duro ficava. A energia vinha e voltava como num dia de temporal, as vezes sentia força brotar do nada e de repente “caia uma fase” e tudo ficava na penumbra.

Malditos 200km que não chegam. O último km demorou uma eternidade pra passar quando finalmente eu vi 200.00 no computador. Parei! Desci da bike enquanto o Ale que parecia ficar mais forte a cada km passou gritando “Deu?”... Deu, vou comer alguma coisa e depois toco até o fim.

Encostei a bike no barranco, tirei um pacote de goiabinha do bolso, peguei minha caramanhola com água e fiquei olhando aquele visual... Muitas lembranças vieram como uma avalanche na minha cabeça, e de repente aquele jato de bem estar. Respirei fundo aproveitando aquele ar que chega a queimar de tão puro e montei na bike de novo.

Cadê minhas pernas???? Devem ter ficado em algum lugar quilômetros a baixo. E o que me empurrou nessa última hora? Com certeza o coração e a alma.

Coloquei a menor marcha que eu tinha, o que ainda era pesado demais àquela altura e terminei sem pressa. 204,19km em pouco mais de 7h20. Alma lavada!

Não tem como agradecer ao trio por esse dia. Marcelinho e Mônica: 8h dentro de um carro??? Não tenho palavras pra descrever a gratidão. Ale, seu animal: Nunca mais me chame pra uma dessas, mas pode contar comigo em qualquer outra, desde que a idéia seja sua J

Valeu demais galera!

Justificando


Impressionante como o ser humano tem uma capacidade maravilhosa de “taxar” e tornar ruim tudo aquilo que ele não é capaz de executar, ou de abdicar. Incrível como tudo aquilo que parece “diferente” de repente ganha uma conotação ruim aos olhos dos que não compartilham do mesmo modo de vida.

Com certeza muito atleta passa como maluco, até mesmo vagabundo aos olhos daqueles amigos ou parentes que por algum motivo parecem não aceitar nossa opção de vida. Até aí tudo bem, vamos concordar que muitas vezes, nós atletas, somos “um pouco” exagerados, mas porque isso parece incomodar tanto? Afinal de contas é como se nossos treinos e competições deixassem as pernas deles doendo, ou como se quanto mais saudáveis e rápidos nós ficamos, mais sedentários e doentes eles ficam.

Com certeza existe alguma coisa na natureza humana que é incapaz de aceitar o fato de que alguns realmente vão atrás daquilo que querem, que mudem e moldem as coisas ao seu redor para que seus objetivos e metas sejam alcançados – e não, eu não estou me referindo somente aos grandes atletas e grandes campeões, ao contrário, a grande maioria dessa “diferença” acaba acontecendo com aqueles que simplesmente estão lá por prazer.

O incrível é que quanto mais eu vivencio e presencio esse tipo de coisa, mais eu acho que eles não fazem por mal.

Você chega em casa acabado de um treino de sei lá, 120km de bike, e recebe o telefonema de um amigo (não relacionado a sua vida esportiva) convidando para uma festa ou uma balada. Relutante você aceita ir, mas adverte que está cansado por causa do treino recém concluído e que no dia seguinte vai ter que acordar cedo para correr 15km e nadar.

Pronto, na hora a atitude desse amigo muda e ele passa a julgá-lo como se fosse Deus, dizendo que você é louco, que nada disso faz sentido... as vezes vai fundo e coloca dedo em feridas inexistentes como família, pais, namorada(o), marido/mulher e filhos... e por aí vai.

Em princípio você se sente acuado, “P” da vida porque afinal de contas você faz tudo isso porque gosta não rouba nem lesa ninguém no processo e esse é o seu jeito de curtir a vida. Quanto à ferida, mesmo inexistente ele te faz sentir culpado. Você olha pra sua mulher, namorada, filhos, pais... e se pergunta se ele tem razão... Aí, no meu caso:

“Se eu tivesse continuado na minha vida pré-esporte, fumante e pesando 130kilos provavelmente eu passaria mais tempo de ressaca, doente, estressado e na cama (ou de cama) do que eu passo treinando, portanto foi uma troca muito boa, não só em termos de quantidade como de qualidade.”

Mesmo com todo esse dilema, você vai pra festa/balada com a galera porque afinal de contas você preza as outras coisas da vida e sabe no fundo que aquele amigo não faz essas coisas por mal. Aí você já chega no lugar, antes que todo mundo (porque esse negócio de vida de atleta é assim a gente vai espremendo tempo pra conseguir colocar tudo num dia de 24h) e morrendo de fome, porque teu metabolismo é algo que nenhum desses seus amigos vão conseguir compreender e você ainda tem que dar nutrientes pro teu corpo se recuperar dos 120k de bike e se preparar pros 15k de corrida. Ainda assim, mesmo com todo esse esforço agüenta gozação de tudo que é tipo.

Quando você já está de saco cheio de ouvir de futebol, política e religião... e pronto pra jogar a toalha enquanto todos estão ficando “altos”, se divertindo com coisas que pra você não fazem o menor sentido (porque você é provavelmente o único sóbrio a essa altura do campeonato) o inesperado acontece...

-Vem cá que eu preciso te apresentar esse cara – você ouve...

E vem um dos seus amigos trazendo uma pessoa que você nunca viu na vida dizendo:

-Esse meu amigo é triatleta, corre maratona, Ironman (e o ápice pra qualquer um que não conhece nada sobre o esporte) e já correu a São Silvestre... pior de tudo – continua ele – ele bebia, fumava e era obeso!

-Correu a São Silvestre!!!! Nossa...

De repente a balada começou a ficar interessante novamente e juntam uns 2-3 curiosos pra ouvir e perguntar sobre treinos... Você conta no máximo uns 50% de tudo que faz e logo vem aquela “Nossa... você é profissional, não?” E aí o grande momento antes de você deixar o recinto e ir pra sua cama que já não agüenta mais de saudade: “Não, não sou profissional e pra falar a verdade nem sou bom o suficiente pra justificar tudo isso... mas faço isso porque gosto, porque é parte da minha vida, e porque não consigo me ver sem... É minha cachaça!”

Aí eu chego em casa me sentindo a melhor das pessoas, e é disso que eu lembro e comemoro cada dia de treino e cada prova completada, sendo ela boa ou ruim!

Feeling, demora e mais perseguição


Dez dias não pareciam tempo suficiente para separar as duas...

As diferenças das necessidades físicas entre uma prova de pouco menos de 5 minutos e uma de pouco menos de 5 horas são enormes, mas talvez os requerimentos psicológicos entre as duas sejam ainda maiores. Eu nunca fui mestre em recuperar o foco rápido após atingir um objetivo. Desta vez pareceu ainda mais distante já que as coisas demoraram mais que o normal para ser assimiladas (se é que foram). Mas com certeza eu fiz o meu melhor nesses poucos dias que separaram o brasileiro de pista do Long Distance de Caiobá.

Embora o local da prova seja um paraíso para a prática do triathlon, a prova em Caiobá está longe de ser “minha” cara, uma vez que o pedal tem pelo menos 6km a menos do que “deveria”, é rápido, e a fiscalização quanto ao vácuo é, no mínimo, muito falha. Mas como nada disso diz respeito direto a minha performance eu sempre vou pra lá com boas expectativas, e desta vez não foi diferente. Sempre foi uma prova muito cruel comigo, e na briga LODD x Caiobá eu vinha perdendo de goleada.

Alguns eventos marcaram a semana mas nada tão fundamental quanto a minha decisão de cortar pela primeira vez o meu “cordão umbilical” com a bike – no começo da semana decidi que correria a prova com roda disco, deixando assim de ter as informações até então vitais fornecidas pelo meu Power-tap. E pra radicalizar de vez, abri mão de qualquer “meter” na bike, nada de cateye, cadência, polar ou GPS. Há 10 dias atrás eu tinha sido quase-perfeito numa prova em que não é permitido o uso de nenhum desses dispositivos, e o “feeling” foi a única informação que eu pude ter. Assim sendo, no domingo coloquei minha bike na transição equipada com rodas, pedais, freios e “feeling” J

Alinhado na praia olhando para as bóias, a única sensação que eu tinha era de “demora”. O quanto ia demorar para dar uma volta e o pior.... eram duas!!! Foi uma natação no mínimo esquisita. Eu tive umas sensações de estômago embrulhado e até me senti meio “mareado” na primeira volta (que meus companheiros de mergulho não leiam isso), saí da água com uma vontade enorme de não partir pra segunda volta, era questão de cabeça e de novo “demora”. Mesmo assim acabou sendo uma natação muito boa, saindo perto de gente que costuma sair bastante na minha frente...

Pra bike e pro feeling... Estranho é como as coisas sempre ficam menos “cinzas” na bike. Mesmo com tempo chuvoso e pista “segurando” mais que o normal, sentia que estava bem, forte e controlado. E com menos de 20km (acho eu) a perseguição começou. Foram mais de 60km perseguindo o TTT da ponta e fugindo do segundo pelotão, sem ninguém junto e mais uma vez “demora”. Fechei a primeira volta e fiz força pra me convencer a passar por tudo aquilo de novo. A experiência positiva do pedal foi ver que o tal do “feeling” funciona até mesmo para distancias um “pouco” maiores, pelo meu relógio passei a segunda volta um minuto mais rápido que a primeira.

Fomos eu e o “feeling” pra corrida. Nessa modalidade ele não costuma funcionar direito, da uns tilts de vez em quando mas eu continuo levando fé que um dia vou conseguir calibrá-lo J. Peguei umas parciais de km durante a primeira volta e vi que estava bem mais rápido do que eu tinha imaginado... ah, lá se vai o “feeling” de novo. Fechei a primeira volta pouco mais de um minuto abaixo do planejado. Fomos bater de frente com a “demora” de novo. E desta vez foi mais implacável – a segunda volta foi um martírio, deu de tudo: câimbra, dor de barriga, vontade de ir no banheiro, mal estar... puts, foi uma eternidade, e no final da segunda volta o plano já tinha ido pro espaço. Felizmente consegui ganhar um pouco de foco na última volta e manter o ritmo planejado.

No final foi uma boa prova, baixei meu tempo do ano passado em TODAS as pernas da prova e fiquei fora do pódio por “detalhes”J. Mas o principal foi todo o aprendizado nessas últimas TRÊS semanas.

Parabéns a todos os companheiros de equipe que competiram e fizeram resultados excepcionais: Sebá, Alê, Silvinha, Tá, Aninha, Hely, Dú, Dani, Xapô, João, Geyson, Jú e Gina.

* O Célio anunciou uma prova em setembro nas distancias de 3km swim, 150km bike e 28km run. Espero que até lá eu já tenha feito as pazes com a “demora”, calibrado o “feeling” e não tenha que ficar “perseguindo” ninguém J

Fotos do Rio

Força para 5 minutos! Doeu quase nada ;-)


Pódio... Qualquer dor valeu a pena!


Velódromo do Pan...


É de impressionar!